Demissões na Osesp provocam onda de protestos

Membros da comissão de músicos daOrquestra Sinfônica Brasileira (OSB), do Rio de Janeiro,enviaram hoje uma carta ao maestro John Neschling em protesto àdemissão sem justificativa de sete músicos da OrquestraSinfônica do Estado de São Paulo, no dia 20. Também da Alemanhae da Argentina chegaram manifestos contra a suposta atitudeautoritária da direção da orquestra, que continua sem se manifestar a respeito daquestão.Ariane Petri, Antonio Henrique Seixas, Helena Buzack,Luiz Carlos Justi, Luzer Machtyngier e Silvínia Soares Pinto,membros da Comissão de Músicos da OSB, afirmam, na carta, estar"chocados com os casos de demissão sumária" e manifestamrepúdio "a esta forma violenta de solução de conflitos, a qualnão só fere e atropela o regimento interno da orquestra, mas,sobretudo, a dignidade dos profissionais envolvidos, oraimpedidos do exercício de sua profissão".Os signatários do documento afirmam, também, que, apesarde não saberem exatamente que razões levaram a direção daorquestra a demitir os sete músicos, estão convencidos de que"esse tipo de relação entre músicos e seus dirigentes não sónão é eficaz para a manutenção de um grupo de notáveis eselecionados profissionais, projeto original da Osesp, comotambém significa um enorme desserviço ao já sofrido e aviltadomeio musical brasileiro, ao instaurar a desconfiança e o temor,ao impedir a promoção de uma atmosfera favorável aodesenvolvimento artístico". A comissão de músicos da OSB encerra a carta declarando"sua solidariedade aos colegas demitidos, esperando queprevaleça, de ambas as partes, o bom senso na solução doocorrido e da parte dos responsáveis pelas demissões, umarevisão da atitude tomada".Exterior - Da Alemanha, foi enviada ao secretário deEstado da Cultura Marcos Mendonça uma mensagem de Gerald Mertens, diretor da DOV (União das Orquestras Alemãs, que representamúsicos de mais de 140 grupos alemães). Segundo ele, é comgrande surpresa que a união recebeu a notícia das "injustas"demissões. Para ele, um dos pontos mais preocupantes é o fato deque quatro dos demitidos faziam parte da associação querepresenta os músicos da orquestra (Aposesp).De acordo com o documento, "o desenvolvimento artísticoe econômico de uma orquestra pode apenas ocorrer em umaatmosfera aberta e democrática". Mertens - além de apelar aosecretário que coloque fim a essa situação, pedindo arecontratação dos músicos - afirma ainda que "este tipo decomportamento vai prejudicar a imagem da Osesp e a aceitação dacultura brasileira na Europa e em todo o mundo".A argentina Andrea Merenzon, vice-presidente daInternational Double Reed Society (IDRS), associação que reúnefagotistas e oboístas de todo o mundo, pede que a direção daorquestra não "forçe seus melhores valores a emigrar para oexterior" e diz que "todas as decisões podem ser revistassempre que busquem o bem-estar de uma instituição tãoprestigiada como a Osesp".Ela afirma, também, que os diretores e administradoresde orquestra tem o dever de não deixar que ocorra uma fuga detalentos de seus quadros. "Na Argentina, estamos vendo como afuga de cérebros está esvaziando nosso capital humano,deixando-nos indefesos e em condições de debilidade competitivaem relação a todos os centros que, com seus poderes econômicos,atraem aqueles que não encontram espaço em seus países deorigem."

Agencia Estado,

29 de agosto de 2001 | 17h20

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