Demissões na Osesp dividem músicos

A demissão de sete músicos daOrquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, a Osesp, nasegunda-feira, pelo maestro John Neschling, tem divididoopiniões entre os profissionais do grupo. Ao mesmo tempo em quealguns de seus integrantes continuam queixando-se de abuso depoder por parte da direção, outros defendem a continuidade doprojeto e encaram o incidente como algo que tem de ser superadoo mais rapidamente possível. A direção da orquestra continua nãoquerendo comentar a situação atual do grupo com a imprensa.O trompetista Marcelo Lopes, que já foi presidente daAposesp (Associação dos Profissionais da Osesp), afirmou hoje àreportagem que lamenta muito os recentes acontecimentos."Nenhum de nós queria que as coisas tivessem acontecido destaforma e temos de reconhecer que a orquestra passa por um momentodifícil, mas é preciso seguir em frente por respeito ao dinheiropúblico."Um dos 12 signatários da carta de apoio à direção daorquestra, Lopes diz que o incidente com Joel Gisiger, que teriasido o estopim de toda a história, precisa ser visto sob outroponto de vista. "A discussão entre ele e o maestro não foi overdadeiro problema, mas, sim, o cancelamento de uma das peçasprogramadas." O depoimento vem em resposta a declarações doflautista Rogério Wolff, um dos demitidos, que afirmou que Lopese outros oito dos 12 músicos que assinaram a carta não estavampresentes no ensaio em que houve a discussão.Lopes também questiona a caracterização de JohnNeschling como "tirano". "Há uma diferença entre exigência etirania. O maestro Neschling é bastante exigente quanto àdisciplina e ao preparo dos músicos, mas todo maestro é."Protestos - Por outro lado, as manifestações contra omaestro continuam. Circula entre estudantes de música um e-mailpedindo atitudes contra o maestro - uma delas teria sido a vaiae a entrega de folhetos no concerto de quinta-feira. Da Alemanha, o contrabaixista Sávio de La Corte - que tocou com a Osespdurante três semanas entre 2000 e 2001 - mandou mensagem aosecretário Marcos Mendonça e ao Ministério da Cultura, em quediz que "nunca viu, em toda a sua carreira, um maestrodirigir-se a um músico como burro". Em entrevista , ele afirmaque presenciou o estabelecimento de uma atmosfera negativa detrabalho, "cujo mote era desestabilizar a capacidade deresposta dos instrumentistas, usando o questionamento dacompetência destes contraposta à sua".

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