FABIO MOTTA/ESTADÃO
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Deftones faz som pesado com pegada alternativa no palco Sunset

Apresentações ágeis de bandas nacionais e estrangeiras cumpriram, na noite de quinta-feira, 25, do Rock in Rio

Guilherme Sobota, João Paulo Carvalho, Pedro Antunes, Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

25 de setembro de 2015 | 01h39

Quando é dia de metal no Rock in Rio – e nesta edição serão três –, o Palco Sunset se encaixa perfeitamente no conceito de parque de diversões que a produção do evento vem querendo estabelecer: menor, e com shows mais cedo, reúne menos gente (mas ainda assim muitos milhares) com um som muito, muito alto. A velocidade das canções e a (usual) boa presença de palco de bandas aceleradas cria uma empatia com o público que faz parecer o espetáculo todo um verdadeiro show de rock.

A diferença é estar cercado por uma montanha-russa (com uma fila igualmente gigantesca) se formando aos seus pés e dezenas de lanchonetes fast-food. Mas dizer que quem esteve lá nesta quinta-feira, 24, não estava se divertindo seria muita má vontade, no mínimo.

Quem encerrou o palco foi o Deftones, que, de algum jeito, também se encaixa no que parece que foi o fio musical e condutor do Sunset nesta quinta-feira: o metalcore, estilo de metal que se alimenta do punk hardcore (mas bem mais do primeiro, com várias nuances, sim).

O Deftones não é estreante em uma edição de Rock in Rio: em 2001, quando ainda estavam divulgando o álbum White Pony, eles também tocaram no festival. Mais madura, a banda conseguiu englobar o som pesado e frenético do primeiro disco Adrenaline com a pegada alternativa da sequência da carreira.

A banda voltou ao Brasil pela primeira vez após a morte do baixista Chi Cheng, em 2013. Ele ficou quatro anos em coma por causa de um acidente. 

Antes deles – e com uma música dedicada à banda de Chino Moreno e companhia – o Lamb of God fez um show sem sustos que quase chega a ser monótono. A exceção é a música Redneck, que formou, a pedido do carismático vocalista Randy Blythe, uma roda gigantesca no meio do público. Uma festa.

Um parêntese: Blythe chegou a ser preso em 2012, na República Checa, após ser acusado de homicídio quando um fã de 19 anos caiu do palco e morreu por causa da lesão causada. Após 38 dias na prisão e sete meses aguardando julgamento, ele foi inocentado. A corte alegou que ele tinha responsabilidade moral sobre o ato, mas não criminal. Após o show do Lamb of God, que começou às 18h, já era complicado atravessar a Cidade do Rock: diferentemente de outros festivais da mesma amplitude (no Brasil e fora), o Rock in Rio não tem conflitos nos horários dos shows, o que pode causar alguma confusão entre um e outro horário, por conta do imenso fluxo de pessoas.

A surpresa do dia no Sunset foi a banda Halestorm, de York, Pensilvânia. “São 30 anos de Rock in Rio”, disse no palco a vocalista Lzzy Hale. “O maior festival de rock do mundo!” Por mais que haja exagero na frase, em um dia dominado por um rock pesado e jovem, o Halestorm mostrou como rejuvenescimento do gênero segue seu fluxo com novas influências – na voz de Hale, há hard rock e até country. 

O Rock in Rio pode não ser o “melhor festival de rock do mundo”, como ela disse. Mas o Halestorm suou para fazer com que isso fosse verdade. 

Os 39ºC que ardiam na Cidade do Rock perto das 15h não intimidaram as duas bandas paulistanas que – via ponte aérea – subiram ao palco e entregaram apresentações vigorosas de suas músicas autorais em português: John Wayne e Project46 fizeram pequenos sets cada uma e, no fim, dividiram o palco, ambos os grupos com mensagens fortes e claras de crítica social. “Nós somos a periferia e estamos aqui representando o metal”, disse o vocalista da John Wayne, Fábio Figueiredo. Uma posição importante que vai na contramão de certo bom-mocismo dominante em grandes festivais de música pop. 

Já com um séquito particular de fãs que cantou a letra toda de Erro+55, o Project46 levou seu rock pesado de protesto para bem acima do underground com a apresentação no Rock in Rio.


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