Defesa de Jackson perde pedido de anulação de busca

As alegações feitas por um garoto de 12 anos sobre abuso sexual deram a justificativa legal para uma busca pelo rancho de Michael Jackson, Neverland, no ano passado, determinou o juiz Rodney Melville, rejeitando os pedidos dos advogados do cantor de classificar a busca como ilegal. Ontem, o juiz da Corte Superior Rodney Melville acabou com o plano dos advogados de Jackson de chamarem diversas testemunhas em um esforço para provar que a acusação não tinha informações suficientes para justificar a invasão da propriedade do cantor em novembro do ano passado. O advogado de defesa Steve Cochran argumentou que as autoridades "confiaram em muitas afirmações" de pessoas pouco qualificadas. "O objetivo era sujar meu cliente, fazer parecer que havia uma ameaça à sociedade e que a casa dele precisava ser revistada imediatamente", disse. Porém, o advogado distrital Ron Zonen disse que a busca somente poderia ser invalidada se houvesse erros nos mandados. Mas o juiz concordou que eles estavam corretos. Melville afirmou que poderiam existir algumas "omissões relevantes", mas concluiu que "havia um motivo para se acreditar que Michael Jackson havia cometido ofensas, com base nos depoimentos do menor". O juiz disse que baseou sua decisão em longos relatórios, muitos dos quais ele divulgou para o público. Melville aceitou deixar os advogados de defesa discutirem sobre os objetos encontrados durante a busca e suspendeu a audiência de hoje, para dar tempo aos advogados de listarem os objetos que queriam removidos do processo como provas. Quando os advogados se reunirem amanhã, a defesa de Jackson vai chamar mais testemunhas, para tentar eliminar as provas conseguidas no escritório do detetive particular Bradley Miller.Ontem, a defesa fez uma declaração surpresa: de que Stanley J. Katz, o psicólogo que primeiro ouviu as reclamações de abuso sexual feitas pelo garoto contra Jackson, também estava tratando de Miller. Katz se recusou a discutir sua relação com Miller, usando de seu direito de privacidade entre médico e paciente, o que o juiz aceitou. Brian Oxman, o advogado de defesa que fez a alegação surpresa, acabou sendo multado em US$ 1 mil ao insistir em comentar o fato depois de o juiz afirmar que o argumento estava encerrado. Katz foi chamado a testemunhar ontem na tentativa de esclarecer se o advogado distrital Tom Sneddon e outras autoridades sabiam que Miller tinha trabalhado para o ex-advogado de Jackson, Mark Geragos, quando algumas provas foram tiradas do escritório do detetive. A acusação afirmou que não sabia da relação entre Miller e Geragos. Katz, que apenas sabia que os dois tinham trabalhado juntos em casos da corte familiar, disse que nunca discutiu o caso Jackson com Miller e não disse às autoridades que Miller trabalhava para Geragos. Jackson, de 45 anos, está sendo acusado de praticar atos lascivos com um menor, oferecer-lhe bebibas e outras substâncias tóxicas, além de conspiração, com suspeitas de tentativa de seqüestro, cárcere privado e extorsão. Ele se declarou inocente e está em liberdade após pagar uma fiança de US$ 3 milhões.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.