Deep Purple volta ao Brasil, movido pelo passado

Na verdade, apesar de ainda estar em atividade, o Purple é um grupo que se alimenta exclusivamente do passado, onde está a melhor parte de seu trabalho. Pode-se dizer que, desde Perfect Strangers, de 1984, álbum que marca a reunião da banda depois de oito anos de separação, nunca mais eles produziram algo superior a razoável.Se a banda que volta ao Brasil tem como ponto fraco as ausências do lendário guitarrista Ritchie Blackmore e do tecladista Jon Lord, dois dos fundadores do grupo, por outro lado os fãs vão poder ouvir o vocalista Ian Gillan, que ocupava os vocais na fase mais fértil e foi quem gravou Strange Kind of Woman, Woman from Tokyo, Smoke on the Water e Highway Star, e o baterista Ian Paice, que é o único sobrevivente da formação original."Dos clássicos, a gente só não vai tocar Burn", disse o guitarrista Steve Morse por telefone ao Estado na sexta-feira à tarde, ao desembarcar em Porto Alegre, primeira escala da turnê brasileira. "Sabe como é, foi o David Coverdale quem gravou e o Ian Gillan não canta esta. A única exceção é Hush, que a gente sempre tocou." Do disco novo, só três ou quatro canções fazem parte do set list.Além de Porto Alegre, a banda se apresentaria em Curitiba, depois São Paulo (nesta terça e na quarta com abertura da banda Lagunna), Rio, Vitória e Belo Horizonte.Morse está no Purple desde 1994 e é o guitarrista que mais durou na banda depois do temperamental Blackmore. Antes dele, outros dois exerceram a função, mas não ficaram mais que um ano no posto. "Eu respeito e gosto muito do que ele (Blackmore) faz hoje." Considerado pelos fãs como a alma do Purple, o antigo guitarrista se dedica hoje à música renascentista.Apesar de tanto tempo de estrada, se depender da vontade de Morse, o Purple não acaba tão cedo. "Fazer turnês e tocar é como ter fome. Você vai ter fome todos os dias, vai precisar comer todos os dias. A gente viaja 20 horas, as turnês são cansativas, mas, mal acabamos de tocar, já estamos famintos de novo. É o que nos mantém vivos."Além da energia dos músicos, o que chama a atenção da banda é a grande quantidade de fãs jovens. "A gente percebe isso nos shows. É mesmo impressionante." E, é claro, Morse faz coro a todos os músicos estrangeiros que pisam no País. "Tocar aqui é diferente. As pessoas realmente curtem o show." Deep Purple. Tom Brasil (4 mil pessoas). Rua Bragança Paulista, 1.281, Santo Amaro, 2163-2000. Hoje e amanhã, 21h30. R$ 100 a R$ 200

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