Ben Sklar/The New York Times
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Debate sobre imigração nos EUA chega ao SXSW, um dos maiores festivais de música do mundo

Organização do evento advertiu que pode contactar autoridades americanas se artistas estrangeiros descumprirem normas do contrato

Paul J. Weber, AP

03 Março 2017 | 11h30

AUSTIN, Texas - Um músico de Nova York anunciou pela web nesta quinta-feira, 2, que não vai mais tocar no festival South By Southwest (SXSW), em Austin, depois de um comunicado do evento dizendo que agentes da imigração poderiam ser contactados se algum artista estrangeiro descumprisse normas de performance no festival.

O anúncio veio no meio de uma polêmica envolvendo uma parte do contrato do SXSW, um dos maiores festivais de música independente do mundo. "O SXSW vai notificar as autoridades de imigração" se os organizadores notarem que um artista estrangeiro aja "de forma a afetar a viabilidade do showcase no festival".

O co-fundador do festival, Roland Swenson, disse numa nota que a cláusula era uma mera salvaguarda no caso de um artista fazer "algo realmente absurdo", como desobedecer regras sobre pirotecnias, começar brigas ou causar problemas de segurança.

O SXSW preenche a cidade de Austin com centenas de eventos "não-oficiais" todo ano, além daqueles oficiais em que são necessárias credenciais. Swenson disse que o contrato avisa artistas que as autoridades de imigração dos EUA "podem criar problemas" para quem não obter um visto de trabalho e tocar em eventos fora da agenda oficial.

"Nós entendemos que dado o clima político atual sobre imigração a linguagem parece forte. Violar as leis de imigração dos EUA sempre teve consequências severas, e nós seríamos relapsos se não falássemos sobre isso com os artistas", disse Swenson.

Artistas falaram em boicote ao festival nas redes sociais.

No comunicado, Swenson ainda reforçou que o SXSW "já se manifestou contrário ao 'travel ban' do Presidente Trump" e está trabalhando com advogados para ajudar artistas que possam ter problemas ao entrar nos EUA para o festival.

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