De férias em São Paulo, Natasha Atlas grava para "O Clone"

A cantora belgo-egípcia Natasha Atlas tem feito, ao longo de uma década, umaespécie de dança de encantamento para modernos e tradicionalistas, embalandopistas com sua world music serpenteante. É uma fusão sedutora de dança doventre e drum´n´bass, música árabe e bateria programada, scratch e kawala.Com a temática muçulmana da novela O Clone, era de se estranhar queNatasha ainda não estivesse na trilha da soap opera brasileira. Agora não hámais rebu: Natasha Atlas não só entrou na trilha como esteve gravandopessoalmente uma participação no novelão há duas semanas, no Rio de Janeiro."Meus tios gostam de ver a novela e eu acabei achando legal, sou umpouquinho romântica", brincou a cantora, em entrevista à Agência Estado na semanapassada. Ela estava no trânsito, voltando de Boiçucanga, litoral norte deSão Paulo. Ídolo na Europa, nomeada Embaixatriz da Boa Vontade para os povosdo Oriente Médio pelas Nações Unidas, Natasha tem uma relação sangüínea como Brasil: o tio Daniel é arquiteto, projetou em São Paulo os restaurantesGovinda e Ganeesh e mora no Embu."Cuidei dela desde pequenininha, era mordomo e chofer para o pai dela", dizo tio de Natasha Atlas, Daniel, seu anfitrião em São Paulo. A cantora (queintegrou, em Londres, o mítico grupo Transglobal Underground) esteve no FreeJazz Festival há quatro anos, cantando no Bourbon Street, e diz que está comvontade de tocar de novo no Brasil. Hoje, gravou o Programa do Jô, na TVGlobo."Durante o festival, eu estava cansada de viagem, ainda sob o efeito do jetlag, não foi um show que me agradou", ela diz. Natasha faz sucesso natemporada com seu novo álbum Ayeshteni, que a Sum Records lançou há doismeses no Brasil. É irresistível sua versão hipnótica de Ne Me Quitte Pas,o clássico de Jacques Brel que Edith Piaf tornou eterno.Natasha é belga de nascimento, filha de egípcios. Surgiu como crooner de umprojeto de música étnico-eletrônica, o Transglobal Underground, em Londres,onde vivia. Hoje, mora no Cairo, lugar onde produziu esse Ayeshteni, seuquarto disco. Estava encantada com o litoral de São Paulo."O Egito, onde vivo, é muito seco", afirmou Natasha. "Acho adorável todoaquela vegetação verde do litoral paulista, tropical e selvagem", disse acantora, fã incondicional da música de Jorge Ben Jor. "Eu gosto de samba eadoro Chove Chuva, é a minha canção favorita; eu gostaria de cantá-la emum show um dia desses".Ela tem abre seu novo disco com uma percussão vigorosa e um coro masculino,o The Mohandiseen Male Voice Choir, cantando Shubra, ainda em ritmo deintrodução. Logo em seguida, despacha uma versão inacreditável de I Put aSpell on You, de Screamin´ Jay Hawkins, clássico do blues americano.Com um DJ a bordo de sua nave sonora, o DJ Awe, mais violas e violinos, umapercussão de estourar a fórmica do balcão do bar, Natasha Atlas brindou seusfãs com um grande disco de começo de ano.

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