JF Diorio/Estadão
JF Diorio/Estadão

David Gilmour faz a guitarra chorar com músicas do Pink Floyd e do novo disco

Músico britânico toca pela primeira vez em São Paulo, com ingressos esgotados

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2015 | 22h37

A cada solo, uma vibração. Mesmo que a voz grave tenha algum peso e os versos sejam profundos, nada produz o mesmo efeito que a guitarra de David Gilmour. O britânico de 69 anos subiu ao palco do Allianz Parque para estrear em território paulistano (e brasileiro), com alguns minutos de atraso, mas uma maestria incomum.

Não se trata de qualquer performance. E as cadeiras espalhadas pelo gramado do estádio, onde o público deveria estar espremido para assistir ao ex-Pink Floyd da forma mais próxima possível, colaboravam com isso. O lugar foi tomado por um espírito de contemplação. O ar da noite quente parecia pesado dentro do caldeirão usado pelo Palmeiras em seus jogos de futebol na capital.

Tudo corroborava com a aura mística do músico que marcou gerações inteiras do rock ao ingressar no Pink Floyd e acrescentar suas linhas de guitarra delicadas às invencionices da trupe então liderada por Roger Waters - o baixista deixou o grupo em 1985 e o posto de "capitão do time" foi deixado com Gilmour.

Era, afinal, a estreia de Gilmour por aqui. Roger Waters, a outra metade genial do Pink Floyd - desde já, peço desculpas a Richard Wright e Nick Manson -, já havia passado por aqui em outras ocasiões. Com o guitarrista e vocalista da banda, a história é outra. Luzes e palco colorido não importam tanto quanto a figura já grisalha, alta, que ocupa o centro do palco. E o seu instrumento, é claro.  

A guitarra de Gilmour sempre foi muito precisa. Era sua característica com o Floyd e assim seguiu na tímida carreira solo do inglês de 1,83 metro de altura, com apenas quatro discos lançados. O mais recente deles, Rattle That Lock, ainda está fresquinho, foi lançado ainda em 2015, um ano depois da despedida do Floyd, com o disco The Endless River.

É com ele que Gilmour inicia a apresentação, com 5 A.M. e a faixa título. São canções para tempos conturbados como aquele que vivemos, menos bucólicas do que a safra do álbum anterior, On Island (2006), mas condizem com um artista contemporâneo, embora sem muita pressa.

Com os clássicos do Floyd, Gilmour tem a todos na mão. Wish You Were Where tem a delicadeza do violão, embaladas por versos agridoces movidos pela ausência. Money foi atrapalhada por um problema com o baixo, mas Us and Then soou com a beleza original.

Gilmour produz música com o instrumento como um pintor diante de uma tela em branco. Preenche os espaços como pinceladas chorosas nas cordas, vagaroso e delicado. Ao fim, têm-se a obra completa. O músico volta neste sábado, 12, para o mesmo estádio, para mais um show com ingressos esgotados.  

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