David Daniels lança CD com árias de Mozart, Gluck e Haendel

Uma das grandes sensações da cena lírica internacional da atualidade é um cantor de voz superaguda, o contratenor norte-americano David Daniels. Ele está com um disco novo na praça, Sento Amor (Virgin Classics 5 45365 2), que reúne dezesseis recitativos e árias de Mozart, Gluck e Haendel. O moço é mesmo espetacular.Como se sabe, contratenor é aquela voz ultra aguda, muitíssimo mais aguda que a de um tenor. Na música clássica, esse registro que se aparenta ao do contralto feminino existe desde a Idade Média. Isso porque a Igreja proibia que as mulheres fizessem parte do coro. Durante o período barroco, os contratenores foram destronados pelos altos músicos (os italianos preferiam falar assim dos cantores castrados).Em nosso século, o countertenor voltou a existir, graças sobretudo ao revival do registro providenciado pelo genial Alfred Deller, no início da década de 1950. Ele fez escola e o hautecontre foi cada vez mais solicitado na interpretação da música antiga-medieval, renascentista, barroca e até mesmo clássica. Um bom contratenor possui um som claríssimo, uma emissão firme e o timbre etéreo (algo assexuado, para alguns críticos).David Daniels é um contratenor excelente, pois, seguindo a atual tendência, além de possuir agudos de prata e graves audíveis, tem força na garganta o suficiente para encarar o palco de ópera. Assim, é capaz de produzir algo que é proibitivo para as chamadas vozes "brancas" - o vibrato, que dá maior calor e emoção à linha de canto.Depois de ter sido menino-soprano e estudado o registro de tenor, David Daniels começou a se especializar nos superagudos a partir de 1992. Ganhou prêmios e, no ano passado, recebeu o título de melhor cantor da temporada da prestigiosa revista Musical America. No Festival de Edinburgh, contrastou o seu timbre com o do fenomenal barítono Bryn Terfel, ganhando montanhas de elogios entusiasmados.Depois de debutar em disco com um programa todo dedicado a Haendel, ele agora soma Mozart e Gluck a esse compositor em seu segundo CD. De Mozart, escolheu peças retiradas de "Mitridate" e de "Ascânio", óperas que ele compôs aos 14 anos. De Gluck, ele canta os dois momentos mais bonitos de "Orfeo ed Euridice" ("Che farò senza Euridice" e "Che puro ciel"), mais uma ária de "Telemaco". De Haendel, aí estão seus aparatosos trechos retirados de "Tolomeo" e de "Partenome". Um espetáculo.

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