Davi Moraes experimenta mais em "Orixá Mutante"

Quase dois anos depois de lançarPapo Macaco, seu primeiro disco-solo, o músico Davi Moraespegou gosto pela coisa. Ele acaba de lançar o segundo trabalhode sua carreira, Orixá Mutante, novamente pela gravadoraUniversal. Será que Davi se sente mais seguro como intérprete ecompositor, para alguém que sempre recebeu louros comomultiinstrumentista? "Sim!", responde ele, rindo todo prosa."Aprendi muito nesse primeiro momento como artista-solo, fazendoshows." Lição de casa feita, Davi dá continuidade à concepçãomusical iniciada em Papo Macaco e volta a beber em diversasfontes sonoras em Orixá Mutante. Mesclando percussão,guitarras e recursos eletrônicos, arrisca um pouco mais e agregaoutros elementos que influenciaram sua formação como músico.Experimenta mais o reggae, as baladas românticas, o pop. Paraele, é um reflexo direto do momento que está vivendo. "Esse ladomais romântico veio depois do casamento." Para quem não sabe,Davi Moraes é o senhor Ivete Sangalo. E por falar na cantorabaiana, ela bate cartão ao longo de quase todo álbum do maridão,dando um reforço nos vocais de faixas como Bateu no Paladar,Som das Ruas, Tô na Sua e outros. "É bacana trabalhar comIvete, porque existe uma troca musical entre a gente dentro doestúdio." Apesar de dialogar conceitualmente com o disco anterior,Orixá Mutante foi idealizado de maneira distinta. "Penseimelhor no repertório, como se cada peça tivesse seu lugar: odisco começa com minha influência do trio elétrico, no meio,baladas mais românticas e por aí vai. Ponderei o CD como umtodo." Bem diferente do primeiro trabalho, cujas canções foramagrupadas no repertório pela vocação individual e não porqualquer traço de afinidade entre elas. Outra característica marcante é que, neste novo trabalho o músico está, literalmente, em casa. A gravação foi realizadano Estúdio Ilha dos Sapos, de Carlinhos Brown, no Candeal, naBahia. A efervescência rítmica do Candeal, aliás, acaboucontagiando Davi, que chamou músicos e compositores locais paraparticipar do CD. "Não cheguei com o disco fechado, porque jáqueria trazê-los para este trabalho", afirma. "Procureivalorizar a presença desses músicos, no repertório e no álbum emsi. Isso teve uma grande parcela na evolução do meu primeiropara o segundo CD." Ele também está rodeado por um time de herdeiros (comoele) dos Novos Baianos: Pedro Baby, filho de Baby do Brasil ePepeu, que toca guitarra nas faixas Ganzá e Liqüidificador deOrixás (da qual é um dos autores); Betão Aguiar, filho dePaulinho Boca de Cantor e Marilhinha, é o principal baixista eco-produtor do disco; Gil Oliveira, irmão de Betão, é bateristana canção Liqüidificador de Orixás; além de Ari Moraes, irmãode Davi, compositor de Ganzá. Moreno Veloso, primo de Davi,comparece na canção Na Feira e o amigo Carlinhos Brown, alémde dono do Ilha dos Sapos", faz participação especial emPretoriana (parceria dele com Arnaldo Antunes). Davi Moraes canta ainda o pai, Moraes Moreira, em Bateuno Paladar, música escrita por Moreira, Zeca Barreiro e FaustoNilo nos anos 80. "Quis dar novos arranjos a esta música ecantá-la." Para a próxima turnê, o jovem músico deve contar coma presença de mais instrumentos no palco, de canções poucoconhecidas de gente conhecida no repertório e de convidadosespeciais ao seu lado. Os ensaios devem começar esta semana.

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