Fabrice Coffrini/AFP
Fabrice Coffrini/AFP

Dave Gahan, do Depeche Mode, aborda síndrome do impostor em novo álbum

'Imposter', lançado pelo cantor com seu grupo alternativo, Soulsavers, 'fala de alguém insatisfeito onde está'

Philippe Grelard, AFP

11 de dezembro de 2021 | 14h58

"É uma história com a qual me identifico", declara o líder do Depeche Mode, Dave Gahan, à  AFP para descrever seu último álbum Imposter (Impostor), repleto de versões interpretadas junto ao seu grupo alternativo Soulsavers.

O título pode surpreender, mas não para uma estrela do rock que viveu, assim como tantos outros, uma adolescência difícil e que depois conheceu a fama e provou as consequências da droga e do álcool.

Impostor porque "sempre me vi assim, inclusive antes de me dedicar à música. Quando era adolescente, queria fazer parte de algo, ser aceito", explica Gahan em Paris, onde fez um show com os Soulsavers.

Quando se uniu ao Depeche Mode, Gahan também se sentia deslocado, confessa. Durante anos se limitou a interpretar as canções do cérebro do grupo,  Martin Gore. Depois de um tempo, começou a escrever suas próprias composições.

"Todos temos essa insegurança", explica também à AFP Rich Machin, fundador dos Soulsavers e produtor do álbum, ao lado do cantor em um hotel parisiense. 

"Todos nós dizemos em algum momento 'não deveria estar aqui, não mereço isso', como quando você tem a oportunidade de tocar com músicos incríveis", acrescenta o instrumentista.

Trajetória difícil

Para Imposter, Gahan e Machin interpretam grandes músicos, de Neil Young a Nina Simone, e obras de artistas muito menos conhecidos, como Cat Power e Mark Lanegan. 

É um álbum crepuscular, o espelho de uma vida de vícios e problemas, antes de chegar aos 60 anos, que Gahan completará em 2022.

"Fala de alguém insatisfeito onde está. Faz parte de mim, tenho uma personalidade viciante, mas trabalho duro para viver o presente, nesses momentos [após acabar com as drogas e o álcool]", acrescenta Gahan.

Shut Me Down, uma música de Rowland S. Howard (guitarrista de Birthday Party, primeira formação de Nick Cave) fala de todas as pessoas queridas que alguém pode ter ferido no passado.

"Este álbum chegou, como geralmente acontece, por acidente, mas assim que foi finalizado, revelou muitas coisas", afirmou.

"É preciso se arriscar se quiser mudar", enfatiza o cantor.

"Mudar esses comportamentos que você acredita que são soluções, como a droga, o álcool, as relações amorosas que são apenas temporárias, porque me dou conta de que a música foi a única coisa constante na minha vida", confessa.

Imposter acaba com uma música que soa como reconciliação, Always On My Mind, uma das interpretações mais conhecidas de Elvis Presley. 

 

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