Dante Ozzetti é aclamado por público e crítica no Visa

Não é só no campo do estádio do Mineirão que toma lugar a disputa entre São Paulo e Minas Gerais nesse fim-de-semana. O outro terreno do embate "café-com-leite" foi também neste sábado, no palco do Cultura Artística. E vale um sobreaviso aos boleiros mineiros: na música, ao menos, quem levou foi paulistano. Dante Ozzetti foi consagrado no 3.º Prêmio Visa MPB de Compositores pelo público e pela crítica, conquistando o primeiro lugar. Mais que merecido, o compositor já vinha de uma carreira de destaque na MPB mais "alternativa", principalmente aqui, pelos cafezais paulistas. Seu principal trabalho tem se desenvolvido com a irmã, Ná Ozzetti, de quem arranjou o primeiro disco solo, Ná (1994), e também foi produtor executivo e arranjador. Por este trabalho, Dante já havia ganhado dois Prêmios Sharp, de "Melhor Arranjador" e "Melhor Disco". Recebeu indicação em 1997, também pelos arranjos no CD Love Lee Rita, e foi novamente arranjador do álbum Estopim, ambos gravados pela irmã. Além dos trabalhos com Ná, Dante desenvolve composições e arranjos com Itamar Assumpção, José Miguel Wisnik, Suzana Salles e José Carlos Costa Neto. E tudo isso não surgiu do nada, uma vez que é formado em composição e regência pela Fap-Arte, e tem também curso superior em harmonia na Fundação de Artes de São Caetano do Sul."Vou procurar fazer uma série de composições inéditas para este CD, quero dar continuidade à toda essa empolgação decorrente do Prêmio", disse Dante. Quanto ao dinheiro, "a primeira coisa vai ser dividir com meu parceiro", se referindo a Luiz Tatit.Um discurso do presidente do júri, o maestro Nelson Ayres, antecedeu as premiações da noite. Ele considerou enorme a responsabilidade de escolher somente um ganhador entre finalistas tão qualificados, e observou nisso algumas contradições, uma vez que "a atividade musical requer uma integração em grupo, um conjunto, e música não é competição. Isso acaba tornando a escolha meio dramática para todos". Mas ele se disse feliz, pois percebeu na platéia e no corpo de jurados que para eles o menos importante era a premiação, e o que realmente se considerava era o importante evento musical da noite.Na melhor parte do seu discurso, ele rendeu calorosos elogios à Rádio Eldorado e à Visa do Brasil, pelo apoio a um projeto como este. "Patrocinar Os 3 Tenores e show do Caetano é sempre muito fácil, pois é garantia de lucro rápido. Mas pouco se entende que são nomes como os que são revelados por estes festivais que vão constituir um grande patrimônio para o Brasil nos próximos 30 anos", disse. Emendou assegurando que mesmo os outros 20 finalistas do Visa devem ser ouvidos com atenção, e que a organização do evento tomou o cuidado de distribuir fitas de todos eles aos intérpretes mais importantes do país.Dante, com certeza, estará nos próximos anos nas assinaturas de algumas destas obras de renome de intérpretes importantes do país. Alguns minutos depois da premiação ainda se podia ouvir na rua Nestor Pestana, em frente ao Teatro, os gritos "E dá-lhe Dante! E dá-lhe Dante!" das pessoas que esperavam a saída do ganhador. Um futuro generoso aponta o caminho do músico de 43 anos.

Agencia Estado,

09 de julho de 2000 | 18h30

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