Daniela Mercury é homenageada por luta pró-preservativos

A cantora Daniela Mercury disse nesta segunda-feira esperar que algum dia a Igreja Católica apóie o uso de preservativos. Ela se apresentaria no Vaticano, mas foi vetada porque disse que pediria ao papa Bento XVI que revisse sua posição sobre o assunto. Para ela, a polêmica teve um lado positivo, pois colocou em discussão o tema do uso da camisinha."Quando declarei que gostaria que a Igreja refletisse a respeito, isso acabou fazendo com que toda a população refletisse", disse ela na Assembléia Legislativa do Rio (Alerj), onde foi condecorada com a medalha Tiradentes. "Quem sabe isso seja uma pequena semente para a Igreja refletir e apoiar, um dia, o uso da camisinha. Sem questionar os dogmas da Igreja", ressalvou.Católica, Daniela ponderou que as igrejas, em geral, são lentas na mudança de suas posições. "Ser católica não é necessariamente ter de acatar todas as diretrizes do Vaticano", disse. "O importante é que a população tenha consciência de que deve cuidar da vida."A cantora baiana, que é embaixadora da Unicef, contou só ter recebido manifestações de apoio por sua atitude. "Fiquei feliz em ver que a população toda não demorou a se definir, me apoiando num momento em que eu estava sendo exposta publicamente." E disse não ter se arrependido. "Mesmo que todos os católicos praticassem a abstinência ou fossem fiéis, seria importante o uso da camisinha. Nossa omissão significa a morte de muita gente", afirmou.A idéia de homenagear Daniela partiu da deputada Cida Diogo (PT), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e da Frente Parlamentar em HIV/AIDS. "Esse é um momento emblemático da luta pelo uso da camisinha. Só aceitei (a medalha) porque isso reforça todo o nosso trabalho. Não estou aqui para me promover pessoalmente", disse Daniela.

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