Divulgação
Divulgação

Dani Gurgel, que se apresenta no Museu da Casa Brasileira, lançará disco por selo japonês

Enquanto a mídia de seu país dorme sobre aquilo que considera finas flores da nova geração, os japoneses a recebem como estrela

Julio Maria, O Estado de S. Paulo

08 de agosto de 2015 | 07h00

Existe uma dinâmica diferente no quarteto formado pelo baterista Thiago Rabello (Big), o contrabaixista Sidiel Vieira, a pianista Debora Gurgel e a cantora Dani Gurgel. Uma energia que se movimenta em círculos e nunca hierarquicamente, de cima para baixo. O resultado disso é a diversão de quatro integrantes que tocam um para o outro e que colocam a plateia no palco e no colo.

Seria natural se todas as atenções recaíssem sobre Dani, por ser ela a cantora e o principal canal de comunicação com o público. Mas as forças ali são tão equilibradas que o eixo principal se reveza. Ora está nas mãos leves de Big, ora no suingue de Sidiel e, em muitos momentos, na musicalidade absurda da pianista Debora, mãe biológica e mentora dos caminhos escolhidos pela cantora.

O próximo show do quarteto será na manhã de domingo, 9, no Museu da Casa Brasileira, a partir das 11h. A ocasião será para mostrar o repertório de dois discos: Um, seu primeiro, lançado no Japão em 2013 e no Brasil em 2014, e Luz, no Japão em 2014 e, neste ano, no Brasil. A prioridade de lançamentos no mercado japonês é fruto de uma relação saudável e frutífera que acontece desde sua estreia de 2013. Fascinados com o som de Dani, os executivos do selo Rambling Records estipularam um compromisso de exclusividade. Dani só lança discos no Brasil depois de colocá-los nas lojas e nos sites japoneses.

Enquanto a mídia de seu país dorme sobre aquilo que considera finas flores da nova geração, os japoneses a recebem como estrela. Assim escreveu em 2014 o jornalista Takashi Horiuchi, da revista especializada Da Capo. “Dani é figura central dos novos compositores brasileiros, nascida no silêncio da bossa nova com o calor de um novo movimento como o Tropicalismo, o que me dá boas esperanças.” Um ano antes, já havia cravado: “Dani Gurgel é uma criadora. Musicista, compositora, produtora e fotógrafa, cuja arte toca meus sentimentos”. Ryosuke Itoh, da loja de música brasileira Taiyo Records, vendeu seu peixe assim: “Ouça este álbum (Um) o mais alto que puder. Certamente o prazer da gravação ao vivo vai se espalhar pela sala”.

 

::: Cultura Estadão nas redes sociais :::
:: Facebook ::

:: Twitter ::

A relação de Dani com os japoneses rende também temporadas. A primeira foi em 2013, quando Um saiu por lá. Depois de uma turnê por várias cidades, o segundo álbum foi lançado no importante Tokyo Jazz Festival. A confiança chegou ao ponto da encomenda. Os japoneses pediram que Dani elaborasse um disco com tudo de mais forte que a influenciasse e ela fez Neon, que já foi lançado em julho e que deve ganhar uma edição brasileira até o final do ano. Entraram em seu repertório, talvez o mais pop deles, de Michael Jackson, com Human Nature, a Guns N’ Roses, com Sweet Child O’Mine, e Madonna, com Express Yourself. Tudo visto pelas lentes do jazz limpo e cheio de dinâmicas de alta precisão. A terceira temporada japonesa está prevista para setembro, quando lançará um novo disco, o quarto, chamado Garra, apenas com músicas autorais. Primeiro no Japão, depois no Brasil.

Dani, Debora, Big e Sidiel gravam sempre ao vivo, no estúdio, sem se separarem no momento da execução. Um detalhe que faz diferença na temperatura. E o calor fica evidente no resultado final. Sua voz tem teto baixo, mas ela a coloca em regiões seguras e nem sempre a usa com a intenção de canto. Muitas vezes age como um quarto instrumento de sopro, subindo e descendo em vocalises cheios de notas ágeis. Sua ausência de dramaturgia no palco a coloca, de novo, como mais uma instrumentista entre seus três acompanhantes.

Mais conteúdo sobre:
música

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.