Damon Albarn acerta outra vez em tributo a Londres

Condutor de mão certeira como poucos no campo da diversidade pop, Damon Albarn, de projeto em projeto, vai construindo uma carreira de êxitos confiáveis. Sua mais recente façanha a chegar ao Brasil é o álbum The Good, The Bad and The Queen (EMI), do projeto/grupo homônimo. É mais uma grande investida de Albarn, que sempre parte para outra antes que uma idéia se desgaste. Investiu no inusitado Gorillaz quando o Blur ainda respirava sem dificuldade, e já estava armando o atual projeto, a partir de 2004, quando o Gorillaz daria um segundo e preciso bote. Produto de dedicação intensa, TGTBTQ tem Albarn no núcleo, nos vocais e nos teclados, ao lado de outros ex-grandes coisas: Paul Simonon (que foi baixista do Clash e vinha se dedicando à pintura), Simon Tong (guitarrista saído do extinto The Verve)e o baterista Tony Allen, que já tocou com Fela Kuti. Esse tipo de formação de supergrupo nem sempre dá bom resultado, mas aqui tudo funciona, como uma versão britânica do transatlântico Travelin? Wilburys - que reuniu os eminentes Roy Orbison, Bob Dylan, George Harrison, Tom Petty e Jeff Line nos anos 80. O propósito da nova aventura de Albarn é prestar tributo a Londres, mapeando a música da cidade, dos anos 50 em diante. O título (O bom, o ruim e a rainha) é uma síntese eloqüente. No mais, o registro passa pelas influências dos imigrantes africanos e asiáticos, sutilmente identificáveis em algumas das belas canções do CD. ?É uma série de histórias e momentos. Não é algo nostálgico sobre britanismo. Trata-se mais do que eu considero ?ser inglês? agora?, definiu Albarn.Ecos das experiências anteriores de cada integrante do quarteto são evidentes, bem como os efeitos dos antepassados. A faixa de abertura, History Song, é uma fusão com porções sutis de Clash, dub e afropop. A balada 80?s Life, apesar do título, parece saída dos anos 60, bem como Behind the Sun. Northern Whale tem feições de Gorillaz, Green Fields finca os pés em achados dos Beatles, Kingdom of Doom é britpop que acena para Blur, Verve e Oasis.Descrevendo de linhas abrangentes, de acordo com a vocação cosmopolita da cena londrina (pelo menos da zona oeste, onde se situa Notting Hill Gate), as múltiplas citações e referências sonoras surpreendem a cada faixa, com outras alusões ao folk, ao eletropop, etc. As boas letras partilham desse movimento constante, que culmina na longa e estrondosa faixa-título. Londres merece.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.