Julio Maria/ Estadão
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Da Austrália, a maior revelação da temporada: Hyatus Kaiyote

Grupo liderado pela cantora Nai Palm foi um dos destaques do festival de jazz na Cidade do Cabo

Julio Maria, Cidade do Cabo - O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2014 | 02h14

Uma sala menor e mais luxuosa, de público bem-comportado, exibia a pepita de maior quilate do Cape Town Jazz Festival no quesito surpresa. O palco pequeno e quase na altura da plateia era ocupado por uma garota com um violão pendurado nos ombros e uma corrente presa ao nariz, um trio de baixo, bateria e teclado e um outro trio de backing vocals formado por meninos e uma menina com idades aparentes entre 15 e 17 anos. A programação anunciava a banda Hyatus Kaiyote, de Melbourne, Austrália. Visualmente, eram estranhos iniciantes em um ninho de cobras criadas, quase colidindo com o restante das atrações. Musicalmente, as coisas mudariam no transcorrer do show.

O Hyatus não faz um som que fisga o ouvinte nos primeiros compassos. É preciso sentar-se e ficar ali, diante deles, por cinco ou seis minutos, como fizeram os poucos adolescentes que preferiram vê-los agachados em frente ao palco. Quando fica claro o que querem comunicar, ouvi-los torna-se um prazer.

A escalação merece ser dada, pelo alto potencial de projeção mundial do grupo, que já começou. Nai Palm (guitarra, voz e teclados), Perrin Moss (bateria e percussão eletrônica), Paul Bender (baixo) e Simon Mavin (teclados e sintetizadores). Em 2013, o grupo foi indicado para o Grammy na categoria melhor performance R&B pela faixa Nakamarra.

O som que fazem é classificado por eles mesmos como neo-soul, mais pela voz de Nai Palm do que pela condução leve de baixo e bateria. O que soa mais fresco e original é a forma de canção que encontraram, uma quebradeira de acordes e tempos que fazem sentido quando não ultrapassam a linha do exagero. Com apenas um disco lançado, Tawk Tomahawk, de 2012, conseguiram boas considerações em jornais como Washington Post, The Wall Street Journal e New York Times. "As canções do grupo evocam o jazz moderno dos anos 60: métricas dinâmicas, harmonias complexas e estruturas longas, estendidas", escreveu o Times.

A explicação pode afastar ouvintes que desejem a boa e velha canção, mas ela está lá o tempo todo, só que apresentada sob mais camadas de acordes ou texturas de sintetizadores.

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