Swift River/ Divulgação
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Cultuado músico americano Daniel Johnston morre aos 58 anos

Admirado por músicos como Tom Waits, Kurt Cobain e Jeff Tweedy, Johnston tinha transtorno bipolar e esquizofrenia, doenças que marcaram sua trajetória

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

11 de setembro de 2019 | 17h55
Atualizado 12 de setembro de 2019 | 12h16

O cultuado músico americano Daniel Johnston, conhecido pela música True Love Will Find You In The End, morreu aos 58 anos. A informação foi divulgada pelo Austin Chronicle, jornal da cidade onde ele vivia desde os anos 1980. Ele teve um ataque cardíaco na noite de terça-feira, 10, de acordo com seu ex-empresário, Jeff Tartakov.

Admirado por músicos como David Bowie, Tom Waits, Kurt Cobain e Jeff Tweedy, Johnston tinha transtorno bipolar e esquizofrenia, passando por hospitais psiquiátricos ao longo da sua trajetória, e em anos recentes enfrentou complicações de diabetes, infecção nos rins e hidrocefalia, uma condição em que os fluidos do cérebro causam desequilíbrio. As doenças marcaram também seu trabalho na música.

Ele lançou 17 discos durante a carreira, o mais célebre provavelmente foi Hi, How Are You (1983). O vocalista do Nirvana ajudou a popularizar o trabalho de Johnston ao usar com frequência uma camiseta com a capa do álbum no início dos anos 1990.

"Estou trabalhando em um novo álbum com (o produtor) Brian Beattie por anos, e espero que ele seja lançado logo", Johnston disse ao Chronicle em 2018. Sua performance final ocorreu em Austin no início do mesmo ano.

Conhecido pela música chamada de lo-fi, geralmente gravada com equipamentos simples em sua própria casa, ele é comumente associado à cena indie do final dos anos 1980 ao lado de bandas como Flaming Lips, Yo La Tengo e Built to Spill, embora todas já tenham professado admiração especial por ele.

Mas sua produção tem uma qualidade única que parte do seu mundo extremamente pessoal, acentuado pelas condições mentais, num universo de fantasia inocente que coincide com a realidade de maneira desconcertante. Suas músicas são pontuadas por referências à cultura pop e permeadas por declarações de amor hiper-sinceras.

Um de seus admiradores, David Bowie, chegou a dizer em uma entrevista que as canções de Johnston tinham "letras belas, embora dolorosas, e melodias que agarram o coração como veludo congelado". 

Em 2013, o músico tocou no Brasil (depois de cancelar um show um mês antes ao ter desistido de embarcar para a América Latina), no Beco 203, em São Paulo, com uma banda formada por músicos locais. 

Em 2005, ele foi tema do documentário The Devil and Daniel Johnston (Loucuras de um Gênio), exibido no Festival de Sundance.

Além da trajetória na música, Johnston construiu uma carreira particular como desenhista, chegando a ter trabalhos expostos no Whitney Museum, em Nova York. 

Em uma matéria do The New York Times em 2017, quando Johnston estava prestes a embarcar naquela que seria sua turnê final, o líder do Wilco, Jeff Tweedy, creditou ao músico uma grande inspiração. "Daniel aprendeu a criar apesar da sua doença mental, não por causa dela. Ele tem sido honesto no retrato de sua luta sem chamar atenção demais para isso."

O novo álbum mencionado por Johnston em 2018 ainda não apareceu, mas relatos da mídia americana dão conta de que sua família possui mais de 1,5 mil fitas com material inédito.

"Eu não posso parar de escrever", ele disse ao Times em 2017. "Se eu parar de fato, pode haver o nada. Talvez tudo pare. Então eu não vou parar. Tenho que continuar."

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