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Cubanos do Buena Vista Social Club dizem adeus em São Paulo

Turnê 'Adiós', de despedida do grupo de Omara Portuondo, passa apenas neste sábado pela casa de shows Tom Brasil

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

12 Maio 2018 | 06h00

Cuba deve algumas estátuas ao Buena Vista Social Club. Pois desde 1999, quando esse grupo de uma velha guarda de cantores e instrumentistas de Havana e Santiago prestes a desaparecer sem nunca ter aparecido fora da Ilha passou a fazer shows pelo mundo, a história ganhou um novo capítulo. Chan Chan, com a voz do santiagueiro Eliades Ochoa, passou a rivalizar com Guantanamera entre as mais tocadas em núcleos turísticos e a música retomou suas forças para ‘vender’ a Cuba que deu certo.

A notícia ruim é que o grupo original teria, por razões biológicas, vida curta. Quem não viu não viu. Eles eram o pianista absurdo Ruben Gonzales; o cantor mais carismático das Américas, Compay Segundo; o homem bolero Ibrahim Ferrer. Todos se foram, mas o Buena Vista, não. A notícia boa é que seus remanescentes, incluindo os fundadores Omara Portuondo, a maior cantora de Cuba; o sofisticado alaudista Barbarito Torres; o trompetista Manuel Guajiro Mirabal; e o trovador do Oriente, Eliades Ochoa, estarão com novos integrantes do grupo neste sábado, 12, às 22h, na casa de shows Tom Brasil.

A turnê tem o triste título de Adiós, sendo bem objetivo. É a temporada de despedida do grupo, mas é bom lembrar de que ela está na estrada desde 2014. Ao Estado, Barbarito Torres escreveu: “A essência de nossa música é o que tem feito o grupo perdurar por todos esses anos. E agora contamos com uma geração de talentosos músicos novos que dão muita energia ao grupo”. Ele diz que a turnê atual é para homenagear o público que, de fato, transformou o projeto em um ‘case’ de sucesso, mas também “os integrantes que já não estão conosco”.

Seria mesmo um adeus esta turnê? Cuba não perde quando o grupo parar de se apresentar? “Nosso adeus é uma forma de dizer ‘obrigado’. São mais de 20 anos celebrando a música por todo o mundo. A verdade é que não acredito que nossa cultura deixe de sonhar. Cuba é um país muito potente, você vão ouvi-la muito ainda.” Se é assim, por que o Buena Vista não poderia continuar na estrada, mesmo com a maioria dos integrantes originais fora de cena? “Este é o momento de agradecer a todos esses anos. Mas todos seguiremos cantando, temos ainda muita energia.”

Como bom artista que ainda vive ou tem familiares em Cuba, Barbarito finge que não percebe a deixa para falar de política e desconversa. No momento em que a Ilha ganha um novo líder, Miguel Díaz-Canel, por mais que tenha se apresentado assumidamente como um porta-voz de Raul Castro, o músico segue em seu discurso sobre suas expectativas com relação a mudanças: “Com os anos e as novas gerações, aparecem sempre sons e estilos. E então a música muda a todo tempo, novos ritmos aparecem e muitos artistas chegam à Ilha para tocar com nossos artistas locais. Há muita inovação, e isso é sempre bom”.

Sobre o show de sábado, no Tom Brasil, ele adianta que contará com muita imagem para os saudosos dos tempos da primeira fase do Buena Vista. “Será um concerto muito especial, vamos usar algumas projeções de nosso documentário Buena Vista Social Club, Adiós. Será a primeira e única vez em que, em uma mesma noite, as pessoas poderão escutar a música e assistir às imagens ao mesmo tempo.” Barbarito diz também que haverá uma homenagem a Ibrahim Ferrer, Ruben Gonzales e Compay Segundo. “Prometemos uma noite de alegria.” A casa informa que o show será para uma plateia sentada. Isso aos que conseguirem se segurar.

BUENA VISTA SOCIAL CLUB

Tom Brasil. Rua Bragança Paulista, 1.281. Sábado (12), 

às 22h. Censura: 14 anos.  Ingresso: de R$ 120 a R$ 400

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