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Cuban Beats All Stars se apresentam em São Paulo

Sem o trio de MCs, músicos do Orishas mostram projeto que une ritmos latinos e grooves eletrônicos

Emanuel Bomfim e Paulina Chamorro - O Estado de S. Paulo,

24 Outubro 2012 | 20h25

Na história de Yotuel, Roldán e Ruzzo, o trio de MCs que projetou e sustentou a imagem do Orishas, quase não se ouve falar de Vladimir Núñez, DJ Tillo e Nelson Palacios. A distância do microfone comporta dessas "injustiças", como a falta de holofote e a burocrática menção na ficha técnica. É o elenco de apoio que serve de escada para os protagonistas da vez. Com a separação temporária do núcleo falante do grupo cubano, em 2009, um levante pacífico entre os músicos do ‘background’ se cristalizou e mostra sua cara em show nesta quinta-feira, 24, no Sesc Pompeia - ingressos estão esgotados há cinco dias.

O novo trio não reclama das referências e da reputação construída em torno do Orishas, mas reforça: quer ser chamado pelo nome de batismo. Nada de ‘ex-integrantes’ no vocabulário. É o Cuban Beats All Stars. "A ideia partiu de mim e do DJ Tillo, quando o Orishas estava prestes a encerrar suas atividades. Decidimos que queríamos fazer algo juntos e nos ocorreu de misturar os ritmos latinos com a música eletrônica em geral", explica o percussionista Vladimir Núñez, morador da Espanha desde 1998, quando resolveu deixar a ilha caribenha. Só volta para lá apenas para visitar amigos e parentes. Na Europa, conheceu mais profissionais da área e passou a colaborar com uma série de artistas locais, incluindo a mais importante revelação vocal espanhola nos últimos anos: a cantora de Mallorca Concha Buika. "Ela é excepcional. Fiz parte de sua banda, gravei em seu disco de estreia... Foi um luxo!", se derrete em elogios.

Apesar dos múltiplos convites, Vladimir reconhece que o atual momento não é dos mais férteis e que a crise econômica também impactou no volume de produção musical. "Está muito difícil. Ter conquistado prestígio com o Orishas alivia um pouco... Sempre pinta algo."

A passagem pelo Brasil, numa turnê que já visitou Brasília, Rio e São Carlos (interior de SP), é a primeira investida internacional do Cuban Beats All Stars. A banda ainda não tem disco pronto, mas leva ao palco um pouco da síntese do projeto, dedicado a resgatar a música tradicional cubana em suas diversas expressões, e combiná-la com elementos da eletrônica de vanguarda.

"Temos muito cuidado em respeitar as faixas originais, não mexer demais com a estrutura delas. Nossa ambição é render uma homenagem atual e moderna à música de Cuba", diz DJ Tillo, responsável pelas bases e scratches durante a animada performance. "Transformarmos nosso show num grande baile. E neste som, abrimos muito espaço para improvisação de percussão, violino, baixo e também do canto. É um espetáculo com uma carga de ritmos tremenda", completa Vladimir.

Os dois integrantes garantem que a moldura eletrônica não eliminou os diálogos férteis com o rap, tão bem azeitados na época de Orishas. A banda de origem, aliás, é tema recorrente no cartel balançado das canções. "Há muitos elementos tirados da cultura hip-hop, matizes importantes para nós como formação, mas que buscamos explorar em novas texturas", afirma DJ Tillo.

A empolgação decorrente do novo projeto, que promete ter disco lançado no ano que vem, só é freada quando o assunto é Orishas ou questões políticas sobre Cuba. No caso do grupo ‘rapero’, não escondem um certo pessimismo com o futuro da banda, mas evitam falar em fim definitivo. Já quando o tema é a ilha, o tom adotado é de extrema cautela. Indagado sobre a abolição do visto de saída do país, Tillo foi cético. "Não temos ideia de como ocorrerá, não sabemos o quanto é verdade", declarou.

Aprender a se destituir do passado e se firmar com um discurso original é o que move o Cuban Beats All Stars. "Não queremos parecer com nada, o objetivo é que soe como algo nosso", conclui Vladimir.

CUBAN BEATS ALL STARS

Sesc Pompeia. Rua Clélia, 93. Nesta quinta-feira, 24, 21h30.

R$ 5/R$ 20 (esgotados).

 
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