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Crooner das massas, Michael Bublé traz ao Brasil  'To Be Loved'

Cantor lota três vezes o Ginásio do Ibirapuera em apresentações no fim de semana

JOTABÊ MEDEIROS, O Estado de S.Paulo

18 Setembro 2014 | 02h07

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Minha confiança cresceu e meu ego diminuiu, diz o cantor canadense Michael Bublé, respondendo à pergunta sobre o que mudou em sua carreira em 10 anos, tempo entre seu primeiro disco, Michael Bublé (2003), e o mais recente, To Be Loved (2013).

"O ego é baseado na insegurança. Com o tempo, a gente aprende a respeitar mais a si mesmo e também a se divertir mais", afirmou Bublé, um dos mais populares crooners da atualidade, falando ao Estado por telefone de Buenos Aires, onde se apresentou no final de semana. Casado com a argentina Luisana Lopilato desde 2011, pai recente pela primeira vez (o filho, Noah, nasceu há um ano), ele diz que hoje dá pesos diferentes à vida pessoal e à carreira. A partir desta sexta, com uma big band com 16 integrantes no palco, em duas horas de apresentação por noite, Bublé inicia uma série de três shows lotados no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo.

"Antes do nascimento de Noah, eu era focado demais, muito obsessivo em relação à carreira. Nesse ponto da minha vida, as prioridades são outras, meu propósito é outro, carreira não é mais a coisa mais importante. O que é interessante, porque isso coincide com uma fase ótima, estou mais relax, as coisas saem com mais felicidade e alegria", afirmou Bublé.

O cantor conta que chegou a fazer 220 concertos em um único ano, mas que diminuiu o ritmo por causa do filho. O que não muda é seu senso de humor, ele que é um piadista incorrigível e diverte muito suas plateias. "Obrigado a você aí pela bebida. Grato a você ali pelo abraço. E, ei você, eu sei que foi você que apertou minha bunda!", diz, após mergulhar no meio do público, sempre com boa resposta da audiência.

"Não é algo que eu force, é natural, é parte de minha vida. Ajuda muito a relaxar. Tenho uma amiga que é uma comediante incrível. Uma vez estávamos conversando e eu disse a ela como ela era engraçada no palco. E ela me apresentou alguns de seus redatores. A diferença é essa: eu não tenho um redator, eu sou o autor de meus textos. Eu improviso, eu sou aquela pessoa ali mesmo. E é curioso: seja no Japão, seja no Brasil, qualquer que seja a cultura, todos entendem, todos riem. Porque sentem que é espontâneo", afirma.

Bublé diz que uma de suas condições para viajar pelo mundo com seu show é que toda a produção internacional viaje consigo - nada de meias produções. Nem um holofote a menos. "Não sou um herói, mas é esse o jeito que eu vejo meu trabalho. Viajo com uma das maiores e melhores bandas do planeta, e tento oferecer tudo que temos, que seja tão bom quanto possível em todos os lugares. Sei que os ingressos são caros, sei que as pessoas muitas vezes fazem sacrifícios para estar ali. Por isso, dou o melhor que posso oferecer", garantiu.

Na Argentina, no último sábado, Bublé fez até mais do que podia. Cantando debaixo de uma bruta tempestade, no Estádio Gimnasia y Esgrima, ele não titubeou e, apesar das advertências do empresário, saiu do seu abrigo seguro no palco e foi cantando a capela Save the Last Dance to Me, com o microfone debaixo d'água, entre os fãs. "Me disseram para cancelar o show, para postergá-lo, porém eu pensei: 'Se vocês estão aí, eu estarei aqui no palco'", contou.

Ele abre seu show sempre de smoking, sempre com uma canção que Elvis Presley eternizou, Fever. Com um jeito iconoclasta de tratar standards (às vezes, usando o cenário como pista de "skate" ou surgindo de um elevador gigante) como Cry me a River (Julie London), You Make me Feel so young (Frank Sinatra), That's All (Nat King Cole) e outros, ele abre o american songbook para outros artistas que estão chegando agora.

É o que faz, por exemplo, com sua interpretação de Get Lucky, sucesso recente do Daft Punk. "Isso muda a cada noite, nem sempre são as mesmas músicas. As canções têm um balanço, um ritmo, e eu cada vez incorporo mais canções ao meu repertório. Basta que elas me conquistem", ele explica. Uma das consequências de sua primeira década no show biz. "Nesse tempo, conheci e colaborei com grandes músicos, como Van Morrison, Rod Stewart, Brian Adams. Isso me ensinou muito", pondera.

Outras canções que comparecem são All You Need Is Love (Beatles), To Love Somebody (Bee Gees), Who's Loving You (Jackson Five), entre outras. Esse é mais ou menos o credo do crooner canadense desde o seu início: reinterpreta Eric Clapton (Wonderful Tonight), Leonard Cohen (I'm Your Man), Amy Winehouse (Rehab) Harold Arlen (I've Got the World on a String), Billy Paul (Me and Mrs. Jones), Henry Mancini (It Had Better be Tonight) e o que mais aparecer. Sempre com um irrepreensível coté de bom moço.

"Antes de cantar, você sabe, a gente tem de saber viver. Quero viver bem a vida e transmitir isso em meu trabalho. Feliz, eu me saio melhor no palco, no estúdio. Não sei se você costuma ver meu Instagram, mas eu sempre posto fotos e vídeos lá. É um jeito de me manter em comunicação com meus fãs, e sem intermediários. Gosto de estar em movimento, gosto de brincar", confessa o músico.

No álbum mais recente, To be Loved, ele canta com alguns convidados, como Reese Whiterspoon e Brian Adams.

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