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Crítica: Tetê Espíndola e a inspiração inesgotável

Novo disco da cantora sul-mato-grossense só compila momentos criativos e comprova seu fôlego para a superação artística

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2017 | 21h00

Tetê Espíndola é das maiores autoras e intérpretes da música brasileira, com um raro fôlego criativo e dramático que não se esgota. O passeio que faz pelos vários períodos de fluxos composicionais de si e seus autores, de 1974 a 2013, reflete uma capacidade de interpretação e de saídas sem fazer com que nada do novo de então se pareça com algo de antes. Andorinha, de 1985, que ela criou em Brasília assistindo solitária a um por do sol, abre com o jogo de sensações que provoca o tempo todo.

Tetê, ao contrário de rompimentos de linguagens mais radicais tomados nos anos 70 e 80 por mentes vanguardistas como a do parceiro Arrigo Barnabé, jamais é abrupta em seu discurso e nunca parece querer romper a comunicação com o mais iniciante dos ouvintes. A beleza de sol poente da seguinte, Outro Lugar, do marido Arnaldo Black, feita para sua voz, a coloca ainda mais abrangente, sem abrir mão de suas marcas e colocações vocais fora dos padrões. A voz de Tetê tal como ficou consagrada a partir de 1985 com Escrito nas Estrelas é sua impressão digital e volta forte mesmo na intenção da calmaria. Um grande disco.

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