Leonardo Aversa
Leonardo Aversa

Crítica: Sobra reverência e falta ousadia em homenagem a Jorge Ben Jor

Skank e Céu começaram a jornada nacional tocando com Jorge Ben Jor em avant-première do projeto Nivea Viva realizada terça (14), no Teatro Vivo Rio; show em São Paulo será em 25 de junho, na Praça Heróis da FEB

O Estado de S.Paulo

15 Março 2017 | 19h23

A homenagem do ano do projeto Nivea Viva teve sua avant-première na noite desta terça-feira (14), no Teatro Vivo Rio, Rio de Janeiro. Jorge Ben Jor é o nome da vez. Sua obra é revista pelo Skank, pela cantora Céu e, em muitos momentos da noite, por ele mesmo. É o primeiro homenageado vivo no histórico do evento. Elis Regina, Tom Jobim e Tim Maia não estavam mais aqui para palpitarem sobre o que, respectivamente, Maria Rita, Vanessa da Mata e Criolo mais Ivete Sangalo fizeram com as canções que, um dia, defenderam. Jorge não só está aqui, saudável e cheio de energia aos seus declarados 71 anos, como conseguiu participar de dois dos cerca de 30 ensaios que o Skank fez ao lado de Céu. Na breve entrevista que concedeu no camarim, antes do show, disse apenas uma frase quando questionado 

Homenagear os vivos é outra história. As ideias tendem a ficar mais contidas, a ousadia esbarra no receio e a criação pode ser freada pelo respeito. Não que os predecessores de Skank e Céu tenham feito incursões inovadoras em seus homenageados, longe disso, mas a presença de Jorge no palco parece intimidar um pouco mais. Samuel Rosa e Céu pertencem a duas gerações subsequentes banhadas por esse rio – e a subserviência a ele está em seus olhares. É uma sorte, de qualquer forma, o fato de haver suingue e pressão em qualquer que seja a música de Jorge – um protetor natural anti-fragilidades da voz de Céu e inoxidáveis aos (poucos) equívocos do Skank.

Céu e Skank, na camada mais superficial, cumprem a missão. As praças de Porto Alegre (2 de abril), Rio de Janeiro (9 de abril), Fortaleza (7 de maio), Recife (21 de maio), Brasília (11 de junho) e São Paulo (25 de junho, na Praça Heróis da FEB, às 16h30) estarão lotadas de pessoas enlouquecidas com País Tropical, Que Pena, W/Brasil, Jorge da Capadócia, Umbabaraúma e Fio Maravilha. O Skank opera na mesma sintonia de euforia do homenageado, injetando vida com o baixo duro mas preciso de Portugal e a pegada vigorosa de Samuel. Céu fica a dever mais por contenção do que por exageros. Sua voz traz apenas uma cor a mais a um show já bastante generoso em cores. São quase sempre oito músicos no palco, com direito a naipe de metais e, por alguns momentos, duas baterias e dois baixos. A farra que deixa Jorge inspiradíssimo.

A camada mais profunda traz outras reflexões que a festa esconde. Com ou sem Skank, com ou sem Céu, Jorge soaria exatamente como soou com os dois. Ou, por algumas vezes, como quando Céu canta Mas que Nada e Cabelo, soaria melhor sozinho. Algumas perguntas que poderiam ter sido feitas são básicas mas importantes: por que ter Céu cantando Jorge Ben Jor além do fato de ter sido sua mãe a inspiradora da música Carolina Carol Bela? O que o Skank poderia fazer de mais surpreendente além de provar que é feito de uma costela de seu ídolo? 

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