Crítica resgata os embalos tardios dos anos 80

Esnobando alguns dos maiores baluartes do rock mundial, o semanário inglês de música New Musical Express apresentou esta semana a lista dos maiores discos de todos os tempos. Segundo seus próprios críticos. A corajosa seleção dos dez mais deixou de fora medalhões como Rolling Stones, Pink Floyd, Ramones, The Clash, The Doors, The Who, U2 e Led Zeppelin. Enquanto isso, duas bandas de passagem meteórica pelo show biz, mas ambas renovadoras da cena musical em fins da década de 80, lideram a lista, The Stone Roses e Pixies.Em primeiro lugar está The Stone Roses, álbum de mesmo nome da banda, lançado em 1989. Foi a estréia em disco do grupo que derrubou a barreira entre o rock independente e as pistas de dança, saído da forte cena de Manchester (então alcunhada "Madchester"), ao lado dos Happy Mondays e Inspiral Carpets. Em segundo lugar aparece Doolittle, dos americanos (de Boston) do Pixies, também de 89. Foi o segundo disco da conturbada carreira da banda, que, como o Stone Roses, não durou muito nos anos 90, ao contrário de grupos neles inspirados, como Oasis e Blur.A lista da NME não deixou de fora apenas dinossauros lendários. Grupos competentes e inteligentes, na ativa ou não, também ficaram de fora dos 10 mais. Exemplo: Nirvana, Oasis, Radiohead, Blur. Os Beach Boys, por Pet Sounds, caíram de primeiro, no levantamento de 1993, para terceiro. Os Beatles caíram de segundo para quinto, com Revolver. À frente dos garotos de Liverpool, aparece o cult pós-punk Television, também uma banda de curta duração, com Marquee Moon, de fins dos anos 70. Em sexto, aparece mais um grupo badalado de curta duração, a Love, do carismático Arthur Lee, com seu registro essencial, Forever Changes, de 1967.Uma única banda em atividade aparece na lista das dez mais. É também a única representante da cena atual. Trata-se da nova-iorquina The Strokes, com seu Is This it. Da mesma safra, badalados como The Hives, The Vines e The White Stripes também ficaram de fora. Completam a relação das dez mais os ingleses do The Smiths, com The Queen is Dead, Lou Reed e companhia, com o obrigatório The Velvet Underground & Nico, e o símbolo máximo do punk inglês Sex Pistols, com Never Mind The Bollocks.A direfença desta para uma outra lista dos maiores discos da história, esta feita pela revista Rolling Stone em outubro de 2002, é gritante. Uma única informação é capaz de dividir as águas: na lista da Rolling Stone, os Beatles ocupam quatro posições entre os dez melhores discos, com Revolver, o primeiro colocado, Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band, em terceiro, The Beatles (o "Álbum Branco") em quinto, e Abbey Road, em sexto. Nevermind, do Nirvana, era o segundo na Rolling Stone. O U2 ficou em quarto, com The Joshua Tree, e até o Guns n´ Roses teve vez, com Appetite for Destruction, que ficou em sétimo.O contraste, tão notável, tem explicação. Na edição de outubro da Rolling Stone, quem escolheu os melhores discos não foram os críticos, mas 23 mil leitores da revista, amantes da música e, da sua forma, conhecedores do assunto. Um deles, que votou em Revolver, fez um interessante comentário, publicado na edição: "Há apenas dois discos sem máculas, e o outro (A Chipmunks Christmas, ou "um natal com os esquilos") não receberá votos o bastante". Talvez a opinião deste homem fosse de grande valor para a lista do New Musical Express.Confira os 10 mais de 2003 segundo o New Musical Express:1 - The Stone Roses, The Stone Roses 2 - Doolittle, Pixies 3 - Pet Sounds, Beach Boys 4 - Marquee Moon, Television 5 - Revolver, Beatles 6 - Forever Changes, Love 7 - Is This it, The Strokes 8 - The Queen Is Dead, Smiths 9 - The Velvet Underground & Nico, Velvet Underground 10 - Never Mind The Bollocks..., Sex Pistols

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