Cristina Ortiz e Osesp interpretam Villa-Lobos

Nas últimas semanas, São Paulo tem sido invadida por pianistas de renome internacional. Stanislav Bunin, no Cultura Artística, Arnaldo Cohen, no Municipal, Gerhard Oppitz e Giuliano Montini na Sala São Paulo. Outro grande destaque é a brasileira Cristina Ortiz, que se apresenta esta semana com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), regida pelo maestro húngaro Peter Feranec.Quando foi convidada para se apresentar com a Osesp, Neschling pediu a ela que interpretasse Lorenzo Fernandes, compositor brasileiro pouco conhecido por aqui. No entanto, ela preferiu o Concerto para Piano e Orquestra n.º 2 de Villa-Lobos. "Escolhi Villa-Lobos pela possibilidade de tocá-lo com uma orquestra brasileira após ter compreendido sua obra".A escolha de uma peça mais conhecida, no entanto, não é uma opção equivocada. Os concertos para piano de Villa-Lobos não aparecem com muita freqüência em salas de concerto brasileiras, o que torna a apresentação algo bastante especial. "Escolhi, primeiro, trazer Villa-Lobos para o público brasileiro e depois partir para os demais compositores".A tarefa, no entanto, tem se mostrado bastante complexa. "Villa-Lobos compunha com o coração", diz Cristina. O resultado é uma partitura que, ao mesmo tempo, provoca grande impacto no público e dificulta o trabalho dos músicos, uma vez que possui poucas anotações a respeito da maneira como deve ser tocada. "A partitura é praticamente virgem", afirma Cristina.Para que o resultado faça justiça ao brilhantismo de Villa-Lobos, Cristina indica que é necessário muito trabalho, com uma quantidade de ensaios considerável. "A peça exige uma orquestra enorme e uma maratona de ensaios para perceber e compreender o que Villa-Lobos quis dizer". Outra dificuldade, especialmente para músicos estrangeiros, é incorporar o gingado da música brasileira. "Uma tercina de Villa-Lobos não é igual a uma tercina, por exemplo, de Beethoven: o gingado e o molejo brasileiros são únicos".Nostalgia - A relação de Cristina Ortiz com Villa-Lobos é antiga. Ela já gravou, pelo selo Decca Records, os cinco concertos para piano do compositor e, nos últimos anos, tem introduzido em seus recitais por todo o mundo obras de Villa. "Para mim, Villa-Lobos tem o gosto de minha terra, da pimenta, de nostalgia".Em uma fase de sua carreira em que ela trocou a correria fruto de uma agenda lotada de concertos, pela oportunidade de tocar pelo prazer de fazer música, Cristina está, cada vez mais, incluindo música brasileira em seu repertório. "Há alguns anos fiz um concerto na Concertgebouw de Amsterdã, minha casa de concertos preferida, com peças de compositores como Lorenzo Fernandes e, no próximo mês, no Wigmore Hall, em Londres, vou fazer um recital com música brasileira".Gravações também fazem parte dos planos de Cristina. "O problema é a falta de patrocínio, e, ainda que eu mesma resolva bancar uma gravação, o processo de distribuição, nesses casos, é muito complicado". Além de Villa-Lobos, o programa do concerto, parte do Projeto Criadores do Brasil, inclui, também, Os 3 Milagres do Tsar Saltán op. 57, de Nikolai Rimsky-Korsakov, e as Danças Sinfônicas op. 45, de Sergei Rachmaninoff.Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo - Regência de Peter Feranec. Ao piano, Cristina Ortiz. Sábado, às 16h30. De R$ 10,00 a R$ 30,00. Sala São Paulo. Praça Júlio Prestes, s/n.º, tel. 3337-5414.

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