Cresce campanha anti-Eminem no Grammy

O Grammy deste ano vai ter uma atração também fora do Staples Center, em Los Angeles, onde a cerimônia vai ser realizada no dia 21. A organização Gay & Lesbian Alliance Against Defamation (Glaad) anunciou que vai fazer um protesto contra "as letras cheias de ódio" do rapper Eminem, que concorre a quatro prêmios na noite. Nas próximas semanas, a disputa entre organizações contra o preconceito, a produção do Grammy e o músico vão tomar conta da mídia.Desde maio de 2000, quando o álbum The Marshall Mathers LP foi lançado, a Glaad critica o músico por sua mensagem homofóbica. O rapper, por sua vez, não sabe ainda se vai comparecer ou não à cerimônia de entrega dos prêmios. A produção do Grammy, que não gosta da controvérsia, ainda não decidiu se quer que o pop star polêmico cante durante a festa.Este fim de semana, foi a vez do grupo Outrage! anunciar que também vai para a porta do Staples Center condenar a mensagem do rapper e a falta de uma postura definida do Grammy. O ativista Peter Tatchell disse que ele e outros manifestantes não vão deixar passar a chance de protestar em um evento com transmissão ao vivo pela TV para várias partes do mundo. "Suas letras homofóbicas fazem com que o preconceito seja bacana e aceitável", disse ele.Em uma de suas faixas, Eminem menciona que quer "colocar medo e matar bichas". A violência não fica restrita a gays. O rapper também é acusado de misoginia. Em Role Model, seu alter ego Slim Shady diz que quer bater em sua a mãe com uma pá. Em Stan, um fã de sua música afoga a namorada. "É muito fácil imaginar Eminem como um sujeito que odeia as mulheres, um gay reprimido", disse Tatchell. "Ele parece estar muito inseguro em relação a sua identidade sexual."O grupo Family Violence Prevention Fund, baseado em São Francisco, na Califórnia, lançou a campanha Não a Eminem, que pretende evitar que o rapper esteja presente na cerimônia do Grammy. Há chances de que o grupo National Organisation for Women também faça um protesto na porta do Staples Center.Para a Glaad, o reconhecimento de Eminem no Grammy pode marcar o início de uma moda "perturbadora". "O que ele fala é muito assustador", disse em um comunicado recente o porta-voz da organização, Scott Seomin. "É tudo sobre matar, esfaquear, cortar gargantas e trancar mulheres em porta-malas de carros. É tudo sobre violência." O porta-voz também espera que o músico - que está com 28 anos - amadureça, "olhe para trás e tenha consciência do mal que fez". Michael Greene, presidente da National Academy of Recording Arts and Sciences, a instituição que dá os Grammys, defendeu as indicações do músico ao prêmio. "Ele tem em sua cabeça algumas idéias muito distorcidas, o que faz com que este seja talvez o disco mais repugnante do ano, mas por vários motivos é também um dos melhores de 2000." Segundo Greene, Eminem "odeia todo mundo, odeia a si mesmo, usa o microfone como terapia e não edita seus comentários."Eminem concorre ao Grammy nas categorias de álbum do ano e melhor álbum de rap (por The Marshall Mathers LP), melhor performance solo de rap (por The Real Slim Shady) e melhor performance de rap em duo ou grupo (por sua parceria com Dr. Dre em Forget About Dre). Eminem não tem feito comentários sobre a polêmica, mas na canção The Real Slim Shady ele fala sobre o Grammy: "Você acha que eu ligo para o Grammy?/ Metade dos seus críticos passa mal ao me ouvir e não vão nunca me premiar."Na contramão de todos os protestos está a popularidade do cantor, que teve 10 milhões de cópias vendidas de seu disco de estréia em todo o mundo. O músico está atualmente em meio a uma turnê européia. Ele toca esta semana em Manchester e Londres, na Inglaterra.

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