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Corte de verbas traz aulas do Festival de Inverno de Campos do Jordão para a capital

Fundação Osesp realiza o evento desde 2012 e alegou que só vai comentar a decisão quando anunciar a programação

João Luiz Sampaio, Especial para O Estado de S. Paulo

14 de maio de 2015 | 03h00

O Festival de Inverno de Campos do Jordão será realizado com um orçamento cerca de 30% menor este ano. E a nova realidade financeira vai levar a uma mudança significativa na configuração do evento: toda a parte pedagógica será realizada em São Paulo e apenas os concertos serão apresentados em Campos. A Fundação Osesp, responsável pela realização do festival, confirma a decisão, mas informou por meio de sua assessoria de imprensa que só vai comentá-la na semana que vem, durante o anúncio oficial da programação do evento, na Sala São Paulo.

Segundo nota oficial da Fundação Osesp, “não houve diminuição no valor do repasse de verbas da Secretaria de Estado da Cultura para a realização do Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão de 2015”. “No entanto, como é do conhecimento de todos, os valores advindos de recursos privados para patrocínios culturais estão mais restritos neste ano. Para mantermos o número de bolsistas, bem como a qualidade do festival, assumimos alterações no formato pedagógico.”

O comunicado não revela o valor do repasse feito pelo governo do Estado para a Fundação Osesp ou qual o orçamento inicial previsto para o evento. E não diz quanto o festival vai custar – no ano passado, o orçamento anunciado pela instituição foi de R$ 7,4 milhões. “Ainda não temos os valores finais, pois continuamos em negociação, prospectando novos apoiadores até a próxima semana, quando lançaremos a programação oficial do 46.º festival”, diz a nota. O festival de inverno está em sua 46.ª edição. 

Segundo o edital de convocação de bolsistas, serão oferecidas até 144 bolsas de estudo integrais, “sendo um máximo de quinze vagas destinadas para as instituições estrangeiras parceiras do festival e 120 vagas para inscrições individuais. Serão também oferecidas até cinquenta bolsas de estudo parciais”. No edital, os candidatos já haviam sido informados de que terão suas estadias em São Paulo, e não em Campos, bancadas pela fundação.

Além das aulas e masterclasses, os alunos vão participar das atividades da Orquestra do Festival, que realizará três programas distintos. Na primeira semana, serão executadas obras de Sibelius e Mussorgsky, com solos do violinista Luíz Fílip; na segunda, Dvorak e Stravinski; na terceira, Marlos Nobre e Mahler. A regência será das maestrinas Marin Alsop, diretora musical da Osesp, e Sian Edwards, da Royal Academy de Londres, ex-diretora da English National Opera. A coordenação artística e pedagógica é do violonista brasileiro Fábio Zanon. 

Área de música. Além da diminuição da verba do festival, projetos da área de música da Secretaria de Estado da Cultura já haviam sofrido com cortes orçamentários. Na Escola de Música do Estado de São Paulo, gerida pela organização social Santa Marcelina Cultura, por exemplo, houve um corte de 10% em relação ao orçamento previsto para 2015, o que levou à demissão de professores, fechamento de vagas, redução de bolsas dos grupos profissionalizantes e à extinção da Camerata Aberta, único grupo estatal brasileiro dedicado exclusivamente à interpretação da música contemporânea. 

Cortes orçamentários também foram realizados no Instituto Pensarte, que gere o Teatro São Pedro e outros conjuntos sinfônicos da secretaria, e no Conservatório de Tatuí. As medidas foram reveladas pelo Estado em abril e, na ocasião, a Secretaria de Estado da Cultura afirmou que os cortes haviam sido motivados pelo contexto nacional e que “os programas da Secretaria de Cultura contam com solidez e anos de investimento contínuo que nos permitirão atravessar a crise econômica sem perda de qualidade”.

Fundação Osesp realiza o evento desde 2012

Até 2011, o Festival de Campos do Jordão foi gerido pela Santa Marcelina Cultura, organização social também responsável pela Escola de Música do Estado de São Paulo e pelos polos da capital do Projeto Guri. Durante este período, o festival teve como foco principal a atividade pedagógica, com especial atenção à música contemporânea. A partir de 2012, por uma determinação da Secretaria de Estado da Cultura, o evento passou a ser comandado pela Fundação Osesp. Na 1ª edição da nova gestão, teve coordenação artística e pedagógica do violinista, maestro e então spalla da Osesp Claudio Cruz. A partir de 2013, o posto passou a ser ocupado pelo violonista brasileiro Fábio Zanon, com direção artística de Artur Nestrovski e consultoria artística da maestrina Marin Alsop. / J.L.S.

30%

é a redução no orçamento do festival em 2015; no ano passado, o evento custou R$ 7,4 milhões

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