Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Corpo do cantor Jerry Adriani é sepultado no Rio

Enterro foi realizado no Cemitério São Francisco Xavier, na zona portuária

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

24 Abril 2017 | 19h24

RIO - O corpo do cantor Jerry Adriani foi sepultado na tarde desta segunda-feira, 24, ao som de alguns de  seus sucessos, como "Doce, doce amor", e cercado por centenas de fãs, no Cemitério São Francisco Xavier, na zona portuária. A capela B, onde ocorreu o velório, foi aberta por volta das 8 horas e durante o dia amigos e admiradores se revezaram para se despedir de Adriani, morto na véspera aos 70 anos, de câncer. No fim da tarde, enquanto o corpo foi enterrado, fãs cantaram sucessos de Adriani e exibiram vinis do cantor

O filho de Jerry, Thiago Vivas, disse que a família foi surpreendida pelo câncer de pâncreas que acometeu seu pai e teve rápida evolução. Ele morreu em menos de dois meses - foi internado em 2 de março, por causa de uma trombose na perna. Uma bateria de exames acabou por revelar a doença. Adriani fez shows até o fim de março. Morreu no domingo, 23, depois de duas semanas de internação.

O cantor Erasmo Carlos estava emocionado. "Foi um dos melhores amigos que eu já tive. Uma pessoa maravilhosa, difícil de a gente achar. Uma pessoa que só nasce de muitos, em muitos anos. Por isso estou muito triste. Ele tinha um estilo dele, a sinceridade, a alegria, a italianice... Era uma pessoa única, que vai deixar muita saudade", afirmou o amigo. "Era um grande cantor, sincero, honesto com o que faz, feliz e com uma legião de fãs. Ele deixou um legado para mim".

O tecladista Marcos Rogério Nascimento, que trabalhava com Jerry, contou que o improviso era uma das marcas do cantor. "Ele não seguia script, não. A gente (os integrantes da banda) fazia até bolão. Se ele ia até a quarta ou a quinta música (da lista) e depois começava o improviso. Mas fazia isso sempre com muita competência", disse.

Outra marca do cantor era o carinho com os fãs. Fazia questão de recebê-los no camarim. "Ele levava uma hora e meia para fazer o show, e, se necessário, três horas para atender aos fãs. Falava com todos, até o último deles. Era um artista exemplar". 

A aposentada Antonia Felix foi uma dessas fãs. Ela seguiu o cantor por turnês pelo País ao longo dos anos, a ponto de ficarem amigos. Ela contou que chegou a ser visitada por ele no Natal e em seu aniversário e não conteve o choro. Exibia uma foto tirada ao lado do ídolo, impressa numa capa de almofada.

"Quem o conhecia, virava fã", contou Tânia Felix, filha de Antonia, que acompanhou a mãe de São Paulo ao Rio para participar do velório e enterro do cantor. Ao lado da mãe, assistiu a mais de 40 shows do cantor.

O cantor Agnaldo Timóteo contou que conheceu Jerry, em 1965, num programa da TV Rio. "Foram 52 anos de amizade e companheirismo". A atriz Alcione Mazzeo também lembrou a amizade de mais de quatro décadas. "Ele tinha um grande coração. O que mais me encantava é que ele era bom e gentil com todos. Até nos seus últimos dias, buscava confortar os amigos, queria nos dar esperanças", contou.

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