Corpo de Emilinha é enterrado no cemitério do Caju

Em vez de silêncio, aplausos e canções de carnaval foram ouvidos durante todo o dia hoje no velório de Emilinha Borba, no Palácio Pedro Ernesto, a Câmara de Vereadores do Rio. Aos 82 anos, a cantora morreu na segunda-feira, vítima de enfarte. Mais de 3 mil pessoas passaram pelo Salão Ary Barroso a partir das 8h, quando o velório, marcado pela saudade, foi aberto ao público. Com lágrimas nos olhos, muitos fãs foram se despedir da estrela do rádio carregando fotos dela. No fim da tarde, ela foi enterrada no cemitério do Caju, na zona portuária do Rio. Sob os aplausos de mais de 1.500 pessoas, o caixão foi retirado do Palácio às 15h45 e seguiu em carro aberto do Corpo dos Bombeiros para o cemitério. No trajeto escolhido, o cortejo passou pelo Arsenal de Marinha e fez a última parada de Emilinha em frente ao edifício da Rádio Nacional, na Praça Mauá. "Já esperava essa manifestação popular porque minha mãe era uma artista popular, muito alegre. É bom para nós ver isso, mas a dor que tenho no peito é muito grande e ninguém tira", disse o filho Arthur Emílio. Entre as contemporâneas de profissão, a cantora Adelaide Chiozzo, amiga com quem Emilinha ainda dividia shows e passeios, era uma das mais emocionadas. "Estávamos sempre juntas. Fizemos um show em abril e , quando terminou, ela pegou a minha mão e beijou, beijou. Não esqueço isso", contou. A ex-vedete Virgínia Lane, de 85 anos, também foi se despedir da amiga que a incentivou a cantar. "Em 1935 estreamos juntas no Cassino da Urca. Ela cantora e eu, muito bonitinha, precisava mais era mostrar as pernas. Mas ela acabou me forçando a cantar. Quando me levou para gravar Sassaricando e foi aquele sucesso ela disse: ´Viu, você não é só perna não, você também canta", lembrou. O músico Bob Lester, de 92 anos, trabalhou com Emilinha depois da morte de Carmem Miranda, com quem atuou nos Estados Unidos. "Ela era uma pessoa doce, que se inspirou muito na Carmem. Viajamos pelo México, Argentina, Chile. Quando perdi minha família ela me deu apoio, trabalho. Sou grato", disse, exibindo uma foto de Emilinha com uma dedicatória de 1942. Escolhida a favorita da Marinha, Emilinha ganhou da Força a guarda de 12 fuzileiros navais e de soldados da Armada, que permaneceram perfilados na escadaria diante do caixão coberto com as bandeiras do Brasil, do Botafogo e da Mangueira. "Antes mesmo de eu vir para o Rio já ouvia falar de Emilinha. Ela era um sonho, uma princesa para mim. Emilinha conheceu a verdadeira face do sucesso. Não tinha a mídia que nós temos hoje e o povo se rasgava na rua por essa mulher", afirmou a cantora Alcione, que também foi ao velório. O ministro da Cultura, Gilberto Gil, enviou condolências por telegrama para a família de Emilinha Borba. "Emilinha foi um dos ícones da fase áurea do rádio brasileiro. Seus mais de 300 discos e seu fã-clube perene atestam a enorme popularidade daquela que foi uma das maiores cantoras do Brasil", diz a mensagem do ministro.

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