Cornelius mostra o samba do japonês doido

Japão: terra de monstros alienígenas, Pokémons e muita gente colorida. Cornelius não poderia ter nascido em outro lugar. Em 1998 ele lançou Fantasma, seu terceiro disco, o primeiro no mercado ocidental, e deixou muita gente de queixo caído. Keigo Oymada, sob o codinome Cornelius, fez em sua música aquilo que os japoneses sempre foram acusados: se não chega a ser original, aprendeu direitinho a lição e melhorou a fórmula. Em Fantasma estão presentes referências de todo o pop mundial, como desenhos-animados, National Kid, punk, surf music e música eletrônica. Logo ganhou a alcunha de Beck japonês. Músicos também ficaram impressionados com o samba do japonês louco e logo pediram para que ele fizesse alguns remixes. Ele aceitou, mas com a condição de que esses artistas também fizessem alguns remixes, mais especificamente das faixas de Fantasma. O resultado dessa bagunça pode ser conferido em CM e FM, lançados pela gravadora Trama. A desconstrução já pode ser verificada na embalagem: os Cds simplesmente não têm capa, apenas um adesivo com o nome das músicas. FM é para quem já conhece o trabalho de Cornelius. São remixes das músicas de Fantasma, feitos por gente como The High Llamas, U.N.K.L.E., Damon Albarn e Buffalo Daughter. Mic Check, originalmente uma brincadeira de passagem de som se transforma em um trip hop quase pesado nas mãos de Money Mark. Já CM traz algumas curiosidades. Ape Shall Never Kill Ape (referência a Planeta dos Macacos) foi composta pelo U.N.K.L.E. para que Cornelius a refizesse, com sons de um teremim esquisofrênico. A sensação de ouvir CM é a mesma de quando assistimos a um desenho japonês cheio de barulhinhos estranhos.

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