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Corinne Bailey Rae fala sobre seu novo trabalho

Em entrevista à Rádio Eldorado, cantora inglesa fala de suas inspirações para o disco 'The Heart Speaks In Whispers'

Entrevista com

Juliana Mezzaroba, Rádio Eldorado

13 de maio de 2016 | 20h36

Nesta sexta, 13, a cantora e compositora inglesa Corinne Bailey Rae laça seu terceiro álbum de estúdio The Heart Speaks In Whispers

O novo disco foi gravado em seu próprio estúdio, em Leeds, na Inglaterra, lugar onde nasceu, e coproduzido por ela e seu marido Steve Brown, que também colaborou no álbum anterior da cantora, chamado The Sea de 2010. Corinne teve liberdade total da gravadora Universal para escolher os músicos que gostaria de trabalhar, entre grandes nomes como Pino Palladino, James Gadson, Marcus Miller, Esperanza Spalding e Moses Sumney estão nesse time. 

Nesta entrevista para a Rádio Eldorado ela conta quais foram suas inspirações para o disco, sobre a morte do seu ídolo Prince e sobre a próxima visita ao Brasil.

Corinne, vamos falar sobre sobre seu novo álbum. Nós estamos tocando o novo single Been to the moon e…

Já? Eu não acredito. Isso é demais! Oh, muito obrigada. 

Sim, nossos ouvintes adoram suas músicas e assim que o single saiu colocamos na programação da Rádio Eldorado. Quando ouvi a música, percebi que ela era diferente do que você já tinha feito. Ela não era um single óbvio, não possui um apelo comercial. Isso foi proposital? O que você mudou dos seus trabalhos anteriores para esse? 

O disco está com uma grande variedade de estilos. Eu quis ter mais liberdade, eu montei o meu próprio estúdio, co-produzi o disco inteiro. Gravei uma grande parte no meu estúdio e nos estúdios do Capitol Records em Los Angles. Tive a oportunidade de escolher os músicos que gostaria de trabalhar, como Pino Palladino, Marcus Miller, James Gadson, que tocou com Marvin Gay e Bill Whiters. Eu senti que nós reunimos um ótimo time de pessoas, que só queria tocar boa música e pensamos muito se as canções eram para tocar no rádio ou não, se era algo comercial ou não, fizemos sem se preocupar com isso. Eu na verdade nunca me preocupei com isso, sempre fiz as músicas que eu sentia que deveria fazer. Desde me primeiro álbum, inclusive  algumas músicas chegaram a tocar nas rádios, mas não é algo que me preocupo quando estou criando. O disco está mais experimental. Eu sempre busco fazer coisas diferentes do que já fiz. A coisa mais importante desse álbum é que eu me sinto mais solta e estou tocando mais instrumentos. Eu sinto que estou agindo sem pensar muito e indo mais pelos meus instintos. Estou deixando as ideias, as melodias, as letras surgirem naturalmente. 

Como surgiu o single Been to the moon?

Been to the moon surgiu de uma jam que eu e Steve (Steve Brown, co-produtor do disco e marido desde 2013) estávamos fazendo em nosso estúdio, eu estava tocando bateria, drum machine ( caixa de ritmos ou máquina de ritmos) e ele tocando teclado, estávamos tocando acordes de jazz e funks dos anos 70. Eu estava sendo espontânea, cantando o que sentia no momento e assim a música nasceu. 

Quais foram as suas inspirações para você se sentir mais solta para fazer gravar The Heart Speaks in Whispers?

Eu acho que foi uma combinação de coisas. Tem algumas pessoas que eu realmente admiro culturalmente. Vi a Patti Smith tocar muitas vezes, vi o Stevie Wonder tocar o "Songs of key of life" na íntegra no Madson Square Garden e foi uma experiencia incrível. Vi vários shows do Prince nesse período, fiquei impressionada como ele era muito espontâneo e generoso. Assisti a shows de muitas bandas Indies, como Julie Ruin, a banda de Kathleen Hanna. Eu sinto que vi muitos shows, viajei bastante para novos lugares. Ter ido ao Brasil também foi uma grande inspiração para mim, por ter estar em um lugar onde há uma mistura de cultura europeia, cultura africana, uma mistura de várias etnias na verdade. O Brasil é um lugar incrível, me senti em casa. Foi incrível estar em um lugar onde tem muita natureza, onde a natureza é algo luxuriante e essencial. Me inspirou a criar a música Green Aphrodisiac, que fala sobre você se sentir bem por estar em um ambiente onde a natureza se sobressai, tudo é verde, tem ar fresco, é um lugar revigorante. A natureza também foi uma grande inspiração para mim, influenciou no meu corpo e na forma que penso. Comecei a fazer pilates e entender mais sobre meu corpo. Me senti com os pensamentos livres. Meus sonhos também foram importantes, algumas letras vieram diretamente dos meus sonhos. Algumas imagens vinham pra mim em sonho e eu já quis transformar em música.  

Até o momento da entrevista quatro músicas do novo disco haviam sido lançadas e uma delas me chamou a atenção, a "Hey, I wont break your heart". Você conseguiu transformar em música, colocar em palavras aquela sensação de medo que muitas pessoas tem quanto estão começando uma relação. Conte um pouco sobre a música. 

Em uma relação um tem muito potencial para machucar o outro. Amar alguém é uma coisa muito perigosa. Você conta para a outra pessoa todos os seus segredos, todos os seus pensamentos, conta as coisas que te deixam vulneráveis, você está realmente se abrindo para outra pessoa. Eu sinto que o amor é isso "assumir um risco" e essa música é sobre isso.Essa é uma parte importante de você fazer música por instinto, pois assim você para de se preocupar muito com o que está escrevendo. E somos todos seres humanos, somos todos parecidos. Então quando você escreve algo pessoal naturalmente outra pessoa também vai se identificar.

Você citou ter ido aos shows de Prince como uma inspiração para o novo disco. Em 2011 você gravou um EP com uma versão de "I wanna be your lover". Como você reagiu com a notícia da sua morte e como ele influenciou a sua carreira?

Eu fiquei muito chocada e muito triste. Acho que ele faleceu muito jovem. Eu achei que fosse vê-lo ao vivo novamente. Nós passamos um tempo juntos, em Leeds, na ultima vez que vi o seu show. Ele era uma pessoa muito querida. Eu acho que uma forma de como sua música me influenciou foi me mostrar a importância da liberdade. Ele sempre mostrou a liberdade como uma arte, ele dançava de um jeito rebelde, ele sempre se deixou levar pelas coisas que vinham ao seu coração sem se preocupar se sua música era ou não comercial, se era muito longa ou muito curta ou qual estilo ela era. Ele deixava a arte fluir. Eu adorava isso nele e sua liberdade é o de mais importante que aprendi de sua música.

E você tem planos de vir para o Brasil?

Eu quero muito ir para o Brasil, é um dos meus lugares favoritos no mundo. Só temos que achar um promotor que contrate o show e estaremos aí num piscar de olhos. Nós realmente queremos tocar no Brasil, pois o público é muito calmo e tranquilo. A última vez que estive aí fui para São Paulo e para o Rio de Janeiro, mas na próxima vez que eu for quero conhecer Trancoso também.

 

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