Coral da Osesp brilha em "Messias"

Desde a sua primeira intervenção - no recitativo Comfort ye e na ária Ev´ry Valley -, ficou claro que o tenor James Taylor era o grande destaque dentre os solistas do Messias com que se encerrou a temporada de concertos da Osesp. Taylor tem o timbre, a técnica, o senso exato de estilo para interpretar música barroca. Isso torna duplamente lamentáveis os numerosos cortes (números 29-32 e 34-39) feitos no oratório de Haendel, que reduziram bastante sua participação. Tivesse o concerto começado mais cedo e fossem feitos dois intervalos em vez de um só, não teria sido necessário amputar um trecho tão grande da peça. Também Cláudia Riccitelli teve desempenho muito satisfatório, a voz clara e ágil transmitindo toda a vibração do Rejoice Greatly e conferindo especial doçura às linhas melódicas de I Know That My Redeemer Liveth, no início da terceira parte. Desigual foi a participação do baixo Martin Snell, de voz volumosa e timbre interessante. Começando bem em The People That Walked in Darkness, chegou à parte final com a voz soando cansada e arenosa: dificuldades nos agudos comprometeram levemente seu maior momento, The Trumpet shall Sound. O elo mais fraco era a meio-soprano Urszula Kryger, de timbre inegavelmente bonito, mas com graves entubados, uma voz que não corre bem, e a tendência a perder volume em passagens mais rápidas. Esses, porém, são problemas técnicos de menor relevo, diante da pouca expressividade de Urszula - responsável por um He Was Despis´d monótono e sem a tensão interna de que essa ária está cheia. No conjunto, porém, descontados os desníveis do quarteto solista e a perda com os cortes, essa apresentação do Messias teve a oferecer mais qualidades do que problemas, graças ao desempenho de ótimo nível do coro da Osesp - que tem em Naomi Munakata, de longe, a melhor regente de coral brasileira de hoje - e à regência muito competente de Roberto Minczuk. Usando uma orquestra reduzida, cujas sonoridades se adequaram muito naturalmente às características da música barroca, Minczuk soube trabalhar de forma muito sensível com os contrastes dinâmicos, moldar com elegância as belíssimas melodias haendelianas e abrir espaço para que o canto se afirmasse em toda a sua primazia. Em linhas gerais, um excelente encerramento para a temporada.

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