Jonathan Pilkington
Jonathan Pilkington

Connan Mockasin, estrela em ascensão do indie rock, faz show em SP em novembro

Cantor e compositor neozelandês vem ao Brasil pela primeira vez logo após lançar seu novo disco

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

04 Maio 2018 | 06h00

Uma novidade para os indies de plantão: o cantor e compositor neozelandês Connan Mockasin, aclamado em publicações de língua inglesa e com milhões de streamings nas contagens do Spotify, vem ao Brasil pela primeira vez. Ele toca no dia 14 de novembro deste ano, no Fabrique (Rua Barra Funda, 1071), em São Paulo. Os ingressos custam R$ 80 (primeiro lote com meia entrada solidária) e estão disponíveis no site sympla.com.br. A produção é da Balaclava Records.

Com a sonoridade neo psicodélica que remete aos conterrâneos Unknown Mortal Orchestra e também ao Tame Impala, ele traz ao País dois álbuns já lançados (Caramel, de 2013, e Forever Dolphin Love, de 2011) — em 2018, ele pretende lançar dois novos discos, em outubro.

“Houve alguns convites para ir, alguns quase se concretizaram, mas agora sim. Não fiz muitas turnês nos últimos anos”, justifica-se o cantor, por telefone, de Los Angeles, onde vive. 

Nascido em Te Awanga, uma cidadezinha no leste da Nova Zelândia, o músico cresceu numa família artística — seu pai, cantor, participa de canções no novo álbum — e descobriu Jimi Hendrix na coleção de discos da casa. Aprendeu a tocar as músicas e ainda adolescente formou uma banda local.

Com pouco mais de 20 anos, se mudou para Londres para tentar a carreira na música. “Mas odiei a indústria e o jeito que as coisas funcionavam”, diz. Pensando em desistir, ouvindo um conselho materno para gravar um álbum: Forever Dolphin Love saiu em 2011, depois de uma versão amadora, para críticas muito positivas considerando um álbum de estreia.

“A faixa título — todos os 10 minutos e quatro segundos dela — é o momento alto delirantemente comatoso, com um motorik áspero dando espaço para um refrão excêntrico, falsamente naif, grudento”, dizia a Pitchfork na época, sublinhando o lânguido das gravações. 

A repercussão lhe rendeu uma fama mais ou menos inesperada: em 2012, fez turnê com o Radiohead pela Oceania, e se aproximou de Charlotte Gainsbourg, com quem também fez shows e escreveu algumas músicas. “A gravadora não gostou da minha produção, então eles tiveram que fazer outra” — o álbum Rest acabou produzido pelo francês SebastiAn, com colaborações de Mockasin, Paul McCartney e Guy Manuel de Homem-Cristo, do Daft Punk.

Em 2013, ele escreveu e produziu Caramel, seu segundo disco, sozinho num quarto de hotel em Tóquio, para onde pretende se mudar. James Blake, Vince Staples, Dev Hynes, Mac DeMarco e MGMT estão entre outros nomes com quem Mockasin se associou os últimos anos.

“É difícil dizer o que essas colaborações trazem para o meu som”, diz o músico. “Mas certamente me dá mais vontade para voltar para um lugar onde eu mesmo tomo as decisões”, ri.

Esse local é o de uma sonoridade indie, cujas texturas importam mais do que o que ele canta, mas sem abdicar de armas do rock contemporâneo mais popular – o novo projeto, gravado por uma banda pela primeira vez na sua carreira, deve destacar essa perspectiva. Outro aspecto do seu som, apontado pela crítica, é que Mockasin aparenta estar tomando seu próprio tempo nas músicas, com paciência mas de maneira ambiciosa. Uma palavra em inglês usada para caracterizá-lo é certeira: otherworldliness (uma característica de outro mundo). Uma chance para comprovar, em novembro.

BALACLAVA RECORDS APRESENTA CONNAN MOCKASIN

Fabrique (R. Barra Funda, 1071, São Paulo). 14/11, 19h. R$80

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