Conhecido como 'The Killer', Jerry Lee Lewis completa 80 anos

Conhecido como 'The Killer', Jerry Lee Lewis completa 80 anos

Pianista invejado por muitos, cantor e compositor marcou a história do rock pela música e pela vida tumultuada; confira alguns suessos

O Estado de S. Paulo

29 Setembro 2015 | 09h33

Conhecido como The Killer, Jerry Lee Lewis chega aos 80 anos de idade. A exemplo de outros grandes nomes da música, o pianista, cantor e compositor também iniciou o aprendizado interpretando música gospel em igrejas. Tido como um dos pais do rock’n’roll, foi em 1954 que ele lançou a primeira gravação, mostrando seu som, um misto de rhythm and blues, boogie-woogie, gospel e country. 

E a carreira foi tomando força ao gravar pela Sun Records, mesmo estúdios por onde passaram nomes como Elvis Presley, Roy Orbison, Carl Perkins e Johnny Cash. Em 1957 veio a fama internacional, com Whole Lotta Shakin’ Goin’ On, seguida por  Great Balls Of Fire, que vira a seu o seu maior sucesso. 

Mas a fama de Jerry Lee veio também pela sua turbulenta vida pessoal, quando a imprensa descobriu que sua esposa, Myra Gale Brown, era sua prima de segundo grau e tinha apenas 13 anos. Foi um escândalo, que o fez cancelar a turnê que estava fazendo e foi banido do cenário musical. 

E vieram à tona também seus problemas com álcool e drogas, após sua separação de Myra. E as complicações na vida pessoal tomaram outras proporções. Seu  filho Jerry Lee Lewis Jr., de 19 anos, morreu em um acidente de carro, em 1973 – ele já havia perdido o primeiro filho, Steve Allen Lewis, afogado na piscina. Tem mais, sua quarta esposa morreu afogada em uma piscina, sob circunstâncias suspeitas. Pouco mais de um ano depois, sua quinta esposa seria encontrada morta de overdose de metadona. 

E não acabou, quando comemorava se aniversário, 1976, em uma brincadeira, Lewis baleou seu baixista Butch Owens, pensando que a arma estava descarregada. Por sorte o músico sobreviveu. Chega? Não. Pouco tempo depois desse incidente, Lewis seria preso por novo incidente com armas e, desta vez, na mansão de Elvis Presley, em Graceland. Convidado do Rei do Rock, o pianista foi barrado pelos seguranças, que não sabiam da visita. Questionado sobre o que fazia ali, Lewis mostrou uma arma e disse brincando que estava ali para matar Elvis.

Muitas são as histórias de Jerry Lee Lewis e algumas ao Estado, em entrevista ao repórter Jotabê Medeiros, isso em 2009, quando veio ao Brasil para shows. Confira trecho. 

O sr. lembra quando começaram a chamá-lo de O Matador?

Ganhei esse apelido quando tinha uns 15 anos, de um amigo. Nós dois tínhamos sido suspensos da escola naquele dia - duas semanas de suspensão cada um, e nem conhecíamos um ao outro. Acabávamos de nos encontrar. Eu tinha entrado em luta corporal com um professor, e ele tinha brigado com o professor dele, então começamos a chamar um ao outro de Matador. E foi assim que começou.

O sr. era o único real competidor de Elvis Presley. Muitos daqueles pioneiros estão mortos, Carl Perkins, Johnny Cash, Roy Orbison. O sr. se sente como um sobrevivente? Se Deus lhe desse a chance de começar tudo de novo, o que mudaria?

Sim, me considero. É bacana, tenho sorte. Na minha vida, sempre trabalhei duro para agradar a meus fãs e seguir em frente. Pergunto a mim mesmo se um dia vou parar. Em minha jornada, fiz muitos amigos, como você mencionou: Johnny Cash, Elvis, Roy Orbison e outras pessoas talentosas que estão em meu último DVD, Last Man Standing - Live!, como Ron Wood, Ken Lovelace, Tom Jones e outros. Sempre vivi intensamente. Se pudesse, faria tudo de novo, sem arrependimentos.

Às vezes, seus fãs procuram novas coletâneas com sua música, algo que traga mais do que as gravações pela Sun Records, de 1956 a 1963. Por que as companhias de discos não demonstram interesse em compilações com o material gravado entre 1960 e 1970, por exemplo?

Há muitas compilações por aí, mas nós vivemos para o presente. Você sabe, eu lancei mais de 50 discos, então há muito material para mostrar às pessoas. As coletâneas mantêm as pessoas no passado, e os artistas têm coisas novas para mostrar.

Seu casamento com Myra, em 1958, quando ela tinha apenas 13 anos, foi um choque. O sr. foi chamado de "raptor de bebê", sofreu boicote. Depois de 50 anos daquilo, sente arrependimento?

Não me arrependo. Estava apenas vivendo minha vida. Fiz o que achei direito.

Em 2004, a revista Rolling Stone o colocou em 24º lugar no ranking dos 100 maiores artistas de todos os tempos. O sr. concorda? Em qual lugar se colocaria?

Certamente, em primeiro lugar (risos). É uma piada, há incríveis artistas na lista que eles fizeram, e cada um tem seus méritos. Me sinto honrado de estar na lista.

Curiosidades em números: 

6 milhões de cópias vendeu a gravação de Great Balls of Fire nos anos 1950

5 ex-mulheres recebem pensão do Killer

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