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Confissões da sensação do pop

KeSha fala sobre bebedeiras e a inspiração para seu hino gay

Roberto Nascimento - O Estado de S.Paulo,

13 de setembro de 2011 | 21h36

Tik Tok, um single sobre noitadas intermináveis e gargarejos de bourbon nas manhãs seguintes, parecia uma imitação fadada ao sucesso mediano quando foi lançado, em agosto de 2009. Uma loira escrachada, com um quê de Britney decadente, pregava “don’t stop” sobre uma batida na veia de Lady Gaga, feita pelo produtor de Katy Perry. Para completar, o nome da cantora vinha com um cifrão no lugar do S.

Chamariz mais óbvio é impossível. Mas Ke$ha começou 2010 no topo da Billboard e por lá ficou durante 9 semanas, tornando-se dona do single mais vendido do ano e redefinindo o equilíbrio de poder entre as grandes divas. Parte deste appeal se deve ao talento natural da moça, que vem ao Brasil no fim do mês para shows em São Paulo e no Rock in Rio. Ao vivo, Ke$ha canta, por boa parte das músicas, sem autotune, a famosa muleta de afinação. Sua coreografia é levemente desengonçada, bêbada. E o resultado é mais humano do que se costuma ouvir em apresentações do tipo.

 

Outra parte do appeal deve-se ao fato de Ke$ha ter encarnado Carpe Diem juvenil de forma mais convincente do que outras cantoras. “Minha vida mudou drasticamente depois que eu emplaquei o hit”, conta Ke$ha ao Estado, por telefone. “Eu era pobre, morava no meu carro, depois no porão do meu produtor, em Los Angeles. Mas Tik Tok deu certo porque eu consegui transmitir a minha juventude e a sensação de não estar nem aí para as coisas. Das noitadas, de escovar os dentes com Jack Daniels. Não foi uma persona premeditada. Nunca consegui fingir por muito tempo. E muitas pessoas se identificam com isso”, completa. A identificação serviu também para o próximo hit de Ke$ha, We R Who We R, (“somos o que somos”, em português) que provavelmente inspirou Lady Gaga a gravar Born This Way, hit com qual briga pelo título de hino gay de 2011.

A ideia de We R Who We R é uma extensão da festa que não acaba de Tik Tok, com tons de saída do armário e orgulho de ser diferente. “Não escrevi a música para ser um hino gay, mas eu acho que as pessoas não deveriam ter vergonha de quem são. Na época, estava revoltada com os suicídios de jovens homossexuais que acontecem por causa de “bullying” na internet, o que para mim é ridículo, intolerável”. No videoclipe de We R Who We R, Ke$ha se jogo do topo de um prédio, como um stage dive, e é segurada, dezenas de andares abaixo, pelos fãs. Quando indagada se esta era a referência aos suicídios, a cantora explicou: “Não. Isso quer dizer que as pessoas podem dar o pulo que é necessário para elas serem quem elas são. Quer dizer que está o.k. Quando derem o passo, terão milhares de pessoas iguais para segurá-las”.

A sagacidade temática de We Are Who We R levou a canção direto ao topo e tem precedentes genealógicos. Pebe Sebert, mãe da cantora, com quem Ke$ha escreve muitas de suas músicas, é veterana dos estúdios, tendo feito canções para Dolly Parton, entre outras cantoras. “Minha mãe me ensinou tudo o que sei”, conta Ke$ha. “Componho desde os 13 anos e algumas das músicas do meu primeiro disco, que gravei com 22, comecei a fazer quando tinha 16”, completa. O sucesso também tem raízes na família, pois Ke$ha estava prestes a entrar na faculdade quando foi para Los Angeles em busca do pai que nunca conhecia. Quando chegou lá, descobriu que não era seu pai, mas ficou e virou protegida do cobiçado Dr. Luke.

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