Confira alguns destaques do Maquinária e do Planeta Terra

Iggy Pop, Sonic Youth, Panic! at the Disco e Evanescence, com Amy Lee em estado de graça...

Jotabê Medeiros, de O Estado de S. Paulo, e Marco Bezzi, do JT,

06 de novembro de 2009 | 01h00

Iggy Pop, Sony Youth e os ecos do grunde - Entre as diversas bandas históricas que estão de passagem pelo Brasil, sem dúvida a americana Sonic Youth é uma das mais veneráveis. Elevou o barulho à categoria de artesanato sonoro. Transportou a distorção para o território da poesia, foi referência formidável do grunge (assim como Iggy Pop, também atração do mesmo festival). E ambos tocam neste sábado no Planeta Terra, no Playcenter.

 

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Surgido em 1981, em Nova York, o Sonic Youth tem um tal protagonismo na história recente do rock que é referencial no recém-lançado livro Grunge - Photographs by Michael Lavine (Abrams Image, US$ 25). "Eu tinha 19 anos em 1983, o ano em que descobri o punk rock. Dirigir até Seattle para ver bandas punks como X, The Clash e Iggy Pop era nosso caminho para nos conectarmos com o universo", escreve Michael Levine, que, de posse de uma Leica M2, fez o inventário fotográfico de uma geração.

O próprio Thurston Moore (guitarrista e vocalista do Sonic Youth) fez o prefácio do livro, em texto no qual demonstra um nível de consciência do imaginário do rock que poucos chegaram a dominar em sua embriaguez de estrelato. O lançamento de Grunge vem se somar a uma série de produtos artísticos que ajudam a compreender esse movimento que legou para o mundo do rock bandas como Nirvana, Soundgarden, Mudhoney, Screaming Trees, Pearl Jam, - na qual se destaca o filme Kurt Cobain - Retrato de Uma Ausência (About a Son), dirigido por AJ Shnack, montado a partir de depoimentos que Cobain deu ao jornalista Michael Azerrad, entre 1992 e 1993.

Butthole Surfers, Breeders, Dinosaur Jr, Babes in Toyland, Buffalo Tom, Meat Puppets, Honeymoon Killers, Hole, L7, Smashing Pumpkins, Rollins Band, White Zombie, Tad e muitas outras bandas foram retratadas por Levine ao longo de uma década inteira, assim como personagens anônimos daquela história - os fãs e os submovimentos. Thurston Moore relembra que grunge foi um termo pejorativo cunhado por Megan Jasper, empregada da gravadora Subpop, o selo das emergentes bandas de Seattle na década de 1980 e início dos anos 1990. "Quando a grande mídia colou o rótulo ‘grunge’ ao nosso universo, um grito coletivo de horror escapou da boca de todo mundo. Mas agora, olhando para o passado, é um tipo de maravilhamento ver como eu comecei ainda garoto a fotografar com uma câmera no meio do nada e termino com a honra de ser testemunha e documento de como aquilo foi uma poderosa peça da história do rock."  (J.M.)

Lee Ranaldo abre o jogo, revela seus projetos e os do Sonic Youth

O sonido distorcido e sinuoso da guitarra do Sonic Youth será escutado mais uma vez em São Paulo. Pela terceira vez no Brasil, o grupo vem apresentar o novo álbum The Eternal para o público do Planeta Terra. Um dos responsáveis por converter barulho em poesia é o morador de Nova York Lee Ranaldo, um senhor de 53 de anos, casado e com três filhos.

Guitarrista dos mais experimentais, Ranaldo ganhou em julho um dos maiores presentes da sua vida: um modelo exclusivo da Fender com seu nome. "Tem todas as modificações que eu faço nas minhas guitarras. Foi um momento muito especial, de muito orgulho", fala o simpático músico. Antes de treinar os dois filhos mais velhos no time de futebol do bairro, Ranaldo falou sobre o show que ele, Thurston Moore, Kim Gordon, Steve Shelley e Mark Ibold farão na noite de amanhã. "Nós fizemos o concerto inteiro do Daydream Nation há um ano. Mas desde que lançamos o novo álbum, temos tocado muitas músicas dele nos shows. Vai ser uma mistura desses dois e músicas de toda nossa carreira."

Mergulhado na seara criativa, Ranaldo diz como consegue equalizar seu tempo com o Sonic Youth e a carreira de escritor e videodesigner. "No fim, tudo é arte. Estou escrevendo dois livros, um com minhas poesias e outro destinado aos viajantes. A banda me tira muito tempo, mas quando tenho um tempo, me atiro nessas outras atividades." Outro vício de Ranaldo é a TV. Ele diz ser fã de séries como Mad Man, Curb Your Enthusiasm e do programa de David Letterman. A banda esteve recentemente no palco do Late Show de Letterman e também participou das séries para adolescentes Gossip Girls e Gilmore Girls. "Mas quem gosta dessas séries são o Thurston e a Kim", deixa claro o guitarrista.

Na música, Ranaldo revela seus preferidos do momento. Grupos como Times New Viking, Magic Markers e Endless Boggie dividem sua preferência com o jazz, Bob Dylan e Pavement. "O nosso baixista, o Mark Ibold, tocou com o Pavement nos anos 90. Estou ansioso para assistir à volta deles ao palco."

O músico abre o jogo e fala dos novos lançamentos que virão em breve para saciar os fãs do Sonic Youth: "Ainda não temos planos para o novo disco, mas vamos lançar um álbum ao vivo de um concerto de 1986 e um CD duplo com músicas que fizemos para o cinema."

Do Brasil, a lembrança mais viva de Ranaldo é o jogo que assistiu no Maracanã, em 2000. "Lembro que o Flamengo jogou com outro time do Rio. Foi uma experiência incrível. Quem sabe os meus três filhos não se tornem jogadores de futebol." (M.B.)

Pela primeira vez no País, o Panic! at the Disco

Eles chegaram vestidos de todos os rótulos possíveis: "emo", "a nova aposta da música", "filhotes do My Space". Nascidos em Las Vegas no ano de 2004, o Panic! at the Disco sempre soube em que território estava pisando. "Nossas maiores inspirações são bandas que conseguiram manter uma carreira duradoura", fala por telefone o baterista e fundador da banda, Spencer Smith. Nomes como U2, Radiohead, Coldplay e The Who estão no topo da lista.

Pela primeira vez no Brasil, o grupo espera poder mostrar todo seu arsenal que engloba música e performance teatral. "Em Las Vegas, sempre fui fascinado por aqueles shows em cassinos. Quis levar isso para nossa música", justifica.

Com dois discos lançados (A Fever You Can’t Sweat Out, de 2005, e Pretty Odd, de 2008), Smith promete tocar no palco do Maquinária no domingo, além das energéticas canções dos dois álbuns, a música New Perspective, do filme A Garota Infernal. "Infelizmente, não poderemos levar nosso palco completo, mas estamos muito animados de tocar aí. No Twitter, recebemos milhares de mensagens de brasileiros e sabemos que temos uma boa quantidade de fãs nos esperando por muito tempo."

O baterista relembra o hype que a banda enfrentou quando lançou o primeiro CD. Manchetes como "Panic! at the Disc, the next big thing" percorriam as bancas e a internet. "Antes mesmo de lançarmos nosso primeiro disco, a imprensa britânica já falava da gente. Isso nos deu motivação para gravarmos um segundo disco ainda melhor."

Sobre o fim do emo decretado pelo grupo Fall Out Boy (em uma apresentação no mês de outubro, o baixista da banda, Pete Wentz, cortou o próprio cabelo e clamou pelo fim do gênero), Smith pondera: "Isso é normal. As modas vêm e vão. O importante é não subir nelas. Como nosso segundo disco provamos que somos uma banda de rock. Não queremos ser estigmatizados por uma cena ou apenas um gênero." Quando é avisado de que Sepultura e Mutantes são do Brasil, ele se assusta. "Sério? Nunca imaginei isso. Mas acho legal essas duas bandas. Espero conhecer mais coisas do seu país." (M.B.)

 

Pelo Evanescence, vigília já dura um mês

Amy Lee está em estado de graça. A fase luminosa da ex-Princesa das Sombras está no Twitter, todo mundo pode acompanhar. Anda ouvindo Humming, do Portishead, e MGMT, Massive Attack, Mia e CSS. "Tempo é um conceito inventado para ajudar-nos a aceitar o que não podemos controlar", diz. Um dos mais recentes "twitts" dizia o seguinte: "As coisas estão correndo muito bem para o próximo disco. Hora de me preparar para o show no Brasil. E achar algo para vestir." E mais adiante: "Ficando assustada com minha própria música. Hora de procurar um lugar feliz." Essa última frase é ela mesma quem explica, em entrevista ao Estado por telefone: "Quando escrevo canções, esqueço um pouco de quem sou. Entro num canto escuro de minha mente. Então, tenho de retornar às vezes para um lugar seguro", esclarece a diva do Evanescene, banda pela qual dezenas de garotos e garotas já acampam há semanas nos portões da Chácara do Jockey, em São Paulo. (J.M.)

 

 

 

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