The New York Times
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Concertos de Andris Nelsons à frente da Sinfônica de Boston chegam ao Itunes

Regente nascido na Letônia foi um dos cogitados para suceder Simon Rattle na direção da Filarmônica de Berlim no ano de 2018

João Marcos Coelho - ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S. Paulo

22 de fevereiro de 2015 | 03h00

Andris Nelsons, 36 anos, é o mais recente prodígio da batuta oriundo da Letônia, o pequeno país de 2,2 milhões de habitantes que faz fronteira com a Rússia e é um celeiro fértil de grandes músicos como o maestro Mariss Jansons e o violinista Gidon Kremer, entre outros. Seu nome foi um dos cogitados para suceder Simon Rattle na direção da Filarmônica de Berlim, que o inglês deixará na temporada de 2018. O próprio Nelsons considerou prematuro este tipo de sondagem. E optou por outra orquestra. E que orquestra. Tornou-se, em setembro do ano passado, o décimo quinto diretor musical e maestro titular da Orquestra Sinfônica de Boston, uma das instituições mais prestigiadas dos Estados Unidos e uma das grandes no mundo.

Depois de estudar na Letônia, comandou a ópera e a orquestra locais. Entre 2006 e 2009, foi titular da Nordwestdeutsche Philharmonie em Herford, Alemanha. Desde 2008 dirige a orquestra sinfônica de Birmingham, na Inglaterra - a mesma que Rattle comandou por quase vinte anos antes de assumir em Berlim. Faz sua última temporada em Birmingham, naturalmente, este ano.


Seus primeiros concertos como titular em Boston, em setembro de 2014, acabam de compor o cardápio de um CD lançado pelo selo da própria orquestra, BSO Live, com duas obras muito conhecidas: a abertura de Parsifal, de Wagner; e a Sinfonia no. 2 de Jean Sibelius (download em iTunes por 9,99 dólares).

Primeiro Parsifal. A versão é magnificente, poderosa, com imensas sonoridades. Ele sabe manipular o balanço entre os naipes sinfônicos, modela as frases com eletricidade e musicalidade. Já a segunda sinfonia de Sibelius, foi escrita em 1901, logo após seu maior sucesso, o curto poema sinfônico Finlandia, que se transformou num segundo hino nacional de seu país. 

A sinfonia também assumiu um papel simbólico na condição de canto de combate dos finlandeses contra o domínio russo. É uma obra romântica, que respira heroísmo. Ideal para Nelsons mostrar seu diversificado talento. No Vivacissimo, ele doma a virtuosidade dos músicos de Boston para não transformá-la num sim em si mesma, porque o scherzo é um movimento perpétuo explorando sobretudo os registros extremos, dos contrabaixos aos violinos. Nelsons brilha ainda ao conduzir o sombrio, lento Andante ma rubato. E se impõe definitivamente no grandioso Allegro moderato final. Uma sinfonia empolgante, tanto quanto a leitura de Nelsons à frente dos músicos de Boston.

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