Concerto reúne músicos israelenses e palestinos

Um concerto inédito realizado por uma orquestra integrada por jovens árabes e israelenses marcou ontem um encontro histórico entre músicos em Ramallah. O maestro argentino-israelense Daniel Bareboin, que semanas atrás se apresentou em São Paulo, disse que essa apresentação mostrou que apesar de nós "não trazermos a paz, isto prova que a reconciliação é possível". A orquestra "West-Eastern" tocou no Palácio da Cultura de Ramallah, depois de meses de negociações diplomáticas sigilosas e diante da oposição de alguns representantes do governo israelense. A mediação da diplomacia da Espanha foi importante, facilitando passaportes diplomáticos a alguns músicos israelenses que, do contrário, não poderiam entrar em território palestino. A viúva do intelectual palestino Edward Said, que, junto a seu colega Barenboin, idealizou esse projeto há anos, esteve no concerto em que cerca de 100 músicos tocaram. Barenboin e Said receberam o prêmio Príncipe de Astúrias há três anos. Antes de subir ao palco para conduzir obras de Mozart e Beethoven, Barenboin disse que "os políticos buscam armas de destruição em massa; a West-Eastern Divan Orchestra busca a única arma de construção em massa". "Vim tocar na Cisjordânia para transmitir uma mensagem de solidariedade e compreensão mútua. Não tenho uma solução política para acabar com o conflito israelense-palestino, porém a idéia é de que cada um dos membros desta orquestra transmita sua percepção do sofrimento do outro através da música", declarou o maestro.

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