Concerto recupera "Sinfonia de Brasília"

A Sinfonia Cultura, dentro da série de concertos Sesc, promove neste domingo, em São Paulo, a reapresentação de Brasília - Sinfonia da Alvorada, peça com música de Tom Jobim e poemas de Vinícius de Moraes composta por ocasião da inauguração da capital federal, em 1960. Poucas vezes executada, a Sinfonia de Brasília tem nesta nova montagem - baseada nos manuscritos deixados pelo compositor - o maestro Flávio Chamis no comando das batutas e Paulo Jobim, filho de Tom, no papel de narrador. Serão apresentados três movimentos da peça: O Planalto Deserto, O Homem e A Chegada dos Candangos.Encomendada por Juscelino Kubitschek em fevereiro de 1958, a sinfonia ficou no plano das idéias até o início de 1960. Foi então que, por intermédio do arquiteto Oscar Niemeyer, Tom e Vinícius foram ao planalto central para conhecer a cidade que estava sendo erguida. Inicialmente, o presidente bossanova pretendia apresentar a Sinfonia da Alvorada no dia 21 de Abril de 1960, data oficial da transferência de capital. Depois, postergou a apresentação para o 7 de setembro do mesmo ano. Na contracapa do disco Brasília - Sinfonia da Alvorada, gravado em novembro de 1960 e lançado no ano seguinte, Vinícius escreve: "Induzido por esse querido amigo que é Oscar Niemeyer, o presidente Kubitschek, também um velho amigo, convidava-nos para criar, com os técnicos da firma francesa Clemançon, especializada na matéria, um espetáculo Son et Lumière para a Praça dos Três Poderes". A história registra que o espetáculo nem sequer ocorreu. O presidente, temeroso com as denúncias de corrupção no processo de construção de Brasília, decidiu não pagar os altos preços cobrados pela empresa Clemançon. Por isso, a Sinfonia da Alvorada foi apresentada em primeira audição somente em 1966, ma extinta TV Excelsior de São Paulo. Em 1986, finalmente a montagem estreou em Brasília, na Praça dos Três Poderes. O espetáculo, naquela ocasião, foi regido por Alceu Bocchino e os textos de Vinícius foram lidos por sua filha, Susana de Moraes, e pelo próprio Tom Jobim. Ao piano, figurava o maestro Radamés Gnattali, que também participara, em 1960, da gravação do 12 polegadas cuja capa foi desenhada por Oscar Niemeyer, e que trazia participações especiais de Os Cariocas e Elizeth Cardoso.A Sinfonia Cultura optou por apresentar três dos cinco movimentos da peça no programa deste domingo. Com isso, não irão tocar os trechos de desfecho da obra: O Trabalho e a Construção e Coral. Na contracapa do disco da Columbia, Tom Jobim também escreveu algumas considerações, dignas de nota. Entre elas, esta que se segue, sobre a segunda parte da sinfonia, intitulada O Homem: "Enquanto escrevia a música desta parte, formou-se em meu espírito a seguinte imagem: uma carroça vai penosamente se arrastando serra acima. O Homem instiga os animais. A marcha acelera-se e surge o Canto, a que responde a Natureza, calma e isenta de desejos. Mas o Homem quer as coisas. Seu braço forte, riscado de grossas veias, ergue-se a uma lâmina afiada corta os ramos dessa Natureza imparticipante. O picadão se aprofunda sertão a dentro. O Homem haveria de plantar sua cruz no Planalto."Brasilia - Sinfonia da Alvorada - Domingo, às 11h, no Teatro do Sesc Belenzinho (Avenida Álvaro Ramos, 991 - Belenzinho); Duração: 60 minutos; R$ 5; Informações: (11) 6605-8143

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