"Concerto Negro" está de volta ao Rio

Estréia nesta quinta-feira no Teatro Municipal do Rio o Concerto Negro. Apresentado por Martinho da Vila, o espetáculo é inspirado no cancioneiro afro-brasileiro e procura integrar a música erudita à popular. O idealizador do projeto é o maestro Leonardo Bruno. No repertório, peças do compositor do século 18 Padre José Maurício, de Alberto Nepomuceno, primeiro brasileiro a compor óperas em português, além de clássicos europeus com temas ligados à cultura negra. O espetáculo conta ainda com o coral da família Alcântara, de Minas Gerais, descendentes de escravos engajados na preservação da cultura quilombola.A idéia nasceu quando o maestro Leonardo Bruno regia a Orquestra Sinfônica de Vitória, no Espírito Santo, em 1988. "Resolvi fazer uma série de espetáculos integrando o clássico ao popular e convidei o Martinho para participar", conta. Os dois criaram um concerto sinfônico orquestrado por Bruno e apresentado por Martinho.Segundo Martinho da Vila, o importante é mostrar aos brasileiros a participação dos negros na música erudita. "É um concerto meio didático", diz Martinho. "Antes da execução, explico ao público a relevância das obras e dos autores, como Padre José Maurício, que era negro e foi o primeiro compositor nacional erudito reconhecido."Nesta apresentação, ele canta duas obras da peça Cennas Colloniaes do poeta Joracy Camargo, com melodia do maestro Heckel Tavares: Leilão, um drama de amor de dois escravos africanos separados no Brasil, e Mamãe Baiana. De quebra, o sambista executa, à capela, o samba-enredo Chico Rei, do Salgueiro.A orquestra executa obras de George Gershwin, grande divulgador da cultura negra america e autor da mais importante ópera negra de todos os tempos, Porgy and Bass. Também faz parte do repertório o Concerto para Violoncelo, do francês Saint-Saëns, interpretado pelo violocenlista negro João Cândido. Além dele, participam do espetáculo a pianista Sarah Higino, o soprano Elizeth Gomes e o barítono Pedro Alcântara, todos negros. Remanescentes dos quilombos, a família Alcântara apresenta seu coral de 40 componentes, incluindo a matriarca de 94 anos, Vó Mena. Destaque para a abertura do Concerto, que traz sambas-enredo da Vila Isabel numa roupagem clássica.Esta é a 5ª apresentação do evento, que já esteve no Espírito Santo, Minas Gerais e volta ao Rio quatro anos depois de sua apresentação na Sala Cecília Meirelles. Martinho espera levar o Concerto Negro para São Paulo no próximo ano.Concerto Negro - Teatro Municipal do Rio, dia 07 de setembro às 17h, dia 08 às 20h30 e 09 às 21h.

Agencia Estado,

07 de setembro de 2000 | 01h33

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