Concerto lembra 250 anos de Bach

Entre todas as homenagens feitas este ano em lembrança aos 250 anos da morte do compositor Johann Sebastian Bach, uma das mais siginificativas é a presença do Gächinger Kantorei e do Bach-Collegium Stuttgart que, dirigidos por seu fundador, o maestro alemão Helmuth Rilling, apresentam - a partir de segunda-feira no Cultura Artística - a Missa em Si Menor BWV 232 do compositor.Rilling fundou o Gächinger Kantorei em 1954 e, nove anos mais tarde, deu origem ao Bach-Collegium Stuttgart, que tornou-se o principal parceiro musical do coro. Juntos, os dois grupos têm viajado em turnês por grandes centros europeus e norte-americanos e colaborado em gravações, no mínimo, ambiciosas. Para se ter uma idéia, após concluir a gravação da integral das Cantatas e dos Oratórios de Bach, tarefa que ocupou o grupo por 15 anos, Riiling acabou de comandar a gravação da obra completa do compositor, num total de 172 discos!O maestro acredita que estas gravações, ao lado da intensa discussão promovida pelas Academias Bach - cursos organizados em diversas partes do mundo para jovens regentes, cantores e instrumentistas - fazem do Bach-Collegium Stuttgart e do Gächinger Kantorei mais do que especialistas quando o assunto é a obra do compositor. "Pode-se dizer que temos experiência, o que é indispensável na interpretação da ´Missa´", afirma o maestro.Isso porque, composta nos últimos anos de vida do compositor, a obra, na opinião de Rilling, é uma espécie de síntese de toda a sua produção. "Nela aparecem elementos já utilizados por Bach em outras de suas obras e, para tocá-la, é necessário um conhecimento considerável do trabalho do compositor".Está nisso, aliás, a maior dificuldade na interpretação da peça. Para o maestro, há dois problemas principais. O primeiro deles diz respeito ao estilo da interpretação. "Temos, sempre, que tocar no estilo de interpretação proposto por Bach, que está inserido no contexto em que ele produzia suas obras".Rilling chama a atenção, no entanto, para que não basta entender o estilo de interpretação. Além disso, para ele, é fundamental compreender o significado da música e o contexto em que ela está inserida. "Especialmente no que diz respeito à música religiosa de Bach, é indispensável compreender a idéia por trás da música, o sentimento que ela traduz."O segundo grande problema apontado por Rilling na interpretação da Missa é a técnica necessária para se atingir um resultado "satisfatório". "Para tocá-la, uma orquestra precisa ser formada por verdadeiros especialistas em cada instrumento, uma vez que a técnica exigida é muito grande."Também ao coro estão reservadas dificuldades consideráveis. "A parte do coro é uma das mais complicadas não só do repertório de Bach, como da música do período em geral." Divulgação Integrantes do Bach-Collegium Stuttgart e seu fundador, o maestro Helmuth RillingClareza - Para Rilling, a grande contribuição de Bach para o universo da música está assentada em dois alicerces fundamentais. Em primeiro lugar, o maestro aponta a capacidade de síntese do compositor. "Ele faz uso de técnicas e formas de composição de autores anteriores ao seu período e utiliza, também com maestria, temas populares de sua época: soube criar uma linguagem musical totalmente nova a partir de referências de diferentes períodos."Em segundo lugar, a clareza na escrita. "Seu estilo é incrivelmente claro, dando às pessoas uma sensação de estrutura muito límpida, o que, para muitos, é essencial quando se ouve música."Solistas - Os quatro solistas que participam do concerto vêm de fora do País. O tenor norte-americano James Taylor divide sua carreira entre os palcos de casas de ópera e as salas de concerto. Em seu repertório figuram o oratório Elias e Paulus, de Mendelssohn, o Messias de Haendel, a Missa Solemnis, de Beethoven, além do lied de compositores como Franz Schubert. De Bach, ele costuma ser convidado a apresentar as Paixões, as Cantatas e o Magnificat.O barítono alemão Christian Gerhaher, além de intensa atividade como solista de concertos, define-se como um estudioso de filosofia, e é formado em medicina. Desde cedo em sua carreira, dedicou-se ao estudo do lied. Aliás, estudou com dois dos principais especialistas no gênero: a soprano Elisabeth Schwarskopf e o barítono Dietrich Fischer-Dieskau.Em ópera, Gerhaher está acostumado a interpretar papéis de Mozart, em especial Papageno, em A Flauta Mágica, e Gugliemo, em Cosí Fan Tutte.Também a soprano suíça Eva Oltivanyi desenvolveu carreira acadêmica antes de ingressar, em definitivo, no mundo da música. Estudava línguas latinas e anglo-germânicas quando decidiu jogar tudo para o alto e dedicar-se ao canto, começando a ter aulas no Conservatório de Zurique. Sua estréia em ópera se deu alguns anos mais tarde, quando interpretou o papel de Lucy, na ópera contemporânea O Telefone, de Gian Carlo Menotti. Seu repertório em recitais também reserva significativo espaço para a música contemporânea, sendo ela prestigiada intérprete de Arnold Schoenberg.De todos os solistas, é a contralto Birgit Remmert que tem maior número de trabalhos em ópera. Sob a batuta de maestros como Claudio Abbado, Carlo Maria Giulini, Riccardo Chailly, Wolfgang Sawalisch e Simon Rattle, ela já se apresentou em montagens de Madama Butterfly, Falstaff, Un Ballo in Maschera, Sansão e Dalila, Siegfried, O Ouro do Reno e As Valquírias.Orquestra Bach-Collegium Sttutgart e Gächinger Kantorei. Regência de Helmuth Rilling - De segunda a quarta, às 21 horas. De R$ 80,00 a R$ 180,00. Teatro Cultura Artística - Sala Esther Mesquita. Rua Nestor Pestana, 196, tel. 258-3616.

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