Concerto expõe religiosidade de Mozart e Stravinski

A Sala São Paulo será palco, nesta quinta-feira e sábado, de uma celebração. O programa escolhido para esta semana pela Orquestra Sinfônica do Estado (Osesp) mostra a preocupação de dois compositores com a busca de uma verdade divina por meio de obras que são verdadeiros marcos do repertório sinfônico.Regido por Roberto Minczuk, o grupo interpreta, na primeira parte, a Sinfonia dos Salmos, de Igor Stravinski. E após o intervalo, a Grande Missa em Dó Menor KV 427, de Mozart. Também participam das apresentações o Coro da Osesp, dirigido por Naomi Munakata, o tenor Fernando Portari, o baixo Carlos Eduardo Marcos e as sopranos Edna d´Oliveira e Rosana Lamosa, que também participam este mês da quinta edição do Festival Amazonas de Ópera.Apesar da existência de peças com tons sacros como Pater Noster (1926) e o Credo (1932), a primeira peça exatamente sacra de Stravinski antes da composição da Missa, de 1947, foi a Sinfonia dos Salmos, de 1930. Na dedicatória da peça, para orquestra e coro, Stravinski escreveu: "Essa sinfonia foi composta para a glória de Deus e dedicada à Sinfônica de Boston."De fato, Stravinski a compôs a pedido do maestro Sergei Koussevitzki, diretor da orquestra. Isso, no entanto, não diminui o fato de que a peça mostra, de maneira clara, a religiosidade do compositor que, se em obras como a Sagração da Primavera provocou polêmica, no final da carreira voltou-se a formas mais antigas de compor.O mesmo aconteceu com Mozart na Grande Missa, escrita após um longo período no qual o compositor se voltou para a obra de grandes mestres do passado como Johann Sebastian Bach e Emanuel Bach. Na verdade, para Mozart a Grande Missa foi o cumprimento de uma promessa feita a Deus quando sua noiva ficou doente. O compositor, pedindo pela saúde dela - os dois pensavam em casar-se o mais rapidamente possível - prometeu compor uma missa caso ela fosse curada. Promessa que, aliás, não foi completada integralmente. Estreada em agosto de 1783, a peça foi completada por trechos sacros escritos anteriormente por Mozart, que chegou a compor apenas a metade da Grande Missa. De qualquer forma, Deus parece ter sido simpático à causa de Mozart: sua noiva recuperou-se a tempo de cantar na estréia da peça, em Salzburgo.Nova geração - Os solistas convidados para a interpretação da Grande Missa são alguns dos principais cantores da nova geração do canto lírico brasileiro. Edna d´Oliveira apresentou-se recentemente em Manaus, como Musetta em uma montagem de La Bohème, de Puccini. Manaus verá também, ainda este mês, Rosana Lamosa como Manon, na ópera de mesmo nome de Jules Massenet. Fernando Portari acabou de retornar de uma temporada que inclui apresentações no Japão e nos Estados Unidos.Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo - Quinta, às 21 horas; sábado, às 16h30. De R$ 10,00 a R$ 30,00. Sala São Paulo. Praça Júlio Prestes, s/n.º, tel. 3337-5414.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.