François lo Presti/ AFP
François lo Presti/ AFP

Concerto de música clássica interativo na França para atrair público jovem

Regida pelo maestro Alexandre Bloch, a Orquestra Nacional de Lille se apresenta com ajuda dos celulares da plateia

AFP

25 Janeiro 2018 | 14h18

"Todos estão conectados?", pergunta o maestro no auditório da Orquestra Nacional de Lille (ONL), no norte da França, onde os espectadores devem ligar seus celulares para poder interagir com A Sagração da Primavera, de Igor Stravinsky.

Após ter dirigido o Bolero de Ravel, em um formato muito clássico, Alexandre Bloch, um maestro de 32 anos que se apresenta como um "geek" (apaixonado pelas novas tecnologias), anima os 1.400 espectadores a abrirem o aplicativo "Smartphony", especialmente concebido para o concerto.

"Vocês por acaso tinham sonhado ser maestros um dia?", pergunta Bloch a um público formado em grande parte por jovens. "Trata-se de algo inédito em nível mundial, podem ficar orgulhosos".

Em seguida, tem início uma série de pequenos jogos para que os espectadores mergulhem na obra de Igor Stravinsky (1882-1971), composta em 1913 e às vezes considerada difícil.

Após algumas perguntas sobre o balé, que causou escândalo em seu tempo, uma pergunta permite determinar os gostos musicais dos presentes: "A obra começa com um solo de fagote. Gostariam de escutar como teria ficado se Stravinsky tivesse encarregado este solo a...?".

Nos celulares, o público seleciona e vota majoritariamente no oboé, preferido ao trombone, violoncelo e arpa. Imediatamente, o som do oboé invade a sala, para o deleite da audiência.

Sem perder o caráter lúdico, um jogo chama a conhecer a importância do tempo. Enquanto a orquestra toca uma melodia de A Sagração da Primavera, o público interfere na velocidade. Um medidor, projetado em uma tela gigante em cima dos 105 músicos, passa de "longo" a "prestíssimo", obrigando Alexandre Bloch a frear e acelerar com a baqueta.

Um chamado aos jovens. Um último jogo, inspirado no Guitar Hero, faz com que os mais jovens, sobretudo, aproveitem. Após esta sessão de jogos de cerca de uma hora, chega o intervalo, que os espectadores aproveitam para trocar impressões, antes de escutar a mesma obra na forma clássica.

"É uma ótima estreia, isto faz com que venham pessoas mais jovens que acreditam que a música clássica foi feita para as pessoas mais velhas, com uma cultura musical", considera Arnaud Bousiac, de 26 anos.

A maioria dos espectadores elogia a iniciativa, que poderia servir para que a música clássica chegue a novos públicos, um dos principais objetivos da ONL, que desde sua fundação, em 1976, tocou em presídios e jardins de infância em algumas ocasiões.

"É realmente muito bom, Alexandre Bloch explica a obra de forma muito lúdica", aponta Perrine, de 37 anos.

Bruno e Marie-Claude, assíduos da ONL, apreciaram a "originalidade" da experiência, que se repetirá em outro concerto no ano que vem.

No entanto, alguns apontam que a iniciativa ainda poderia melhorar.

Patrick, de 59 anos, expressou suas reservas em relação aos jogos. "Viemos para ouvir música, todos esses jogos foram um pouco longos. É preciso encontrar a medida certa", aponta.

 

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