Concerto da Osesp une músicas russa e alemã

Após os concertos da semana passada o maestro finlandês Paavo Berglund volta esta semana à frente da Osesp para reger o grupo em um concerto que une as músicas russa e alemã, com peças de Johannes Brahms e Sergei Koussevitzki. A princípio, estava programada para os concertos a execução da Sinfonia n.º 8 do compositor russo Dimitri Shostakovich, peça que nunca havia sido interpretada no Brasil por uma orquestra brasileira. No entanto, segundo a orquestra, a má qualidade das partituras mandadas pela Schrimmer (editora que detém os direitos da obra do composittor russo) tornou impossível a execução da peça.No lugar, maestro e direção artística decidiram colocar obras do alemão Johannes Brahms. Inicia o concerto a Abertura Trágica, peça de 1880, que, com um aspecto bastante denso, indica uma melancolia, que para o crítico Rossini Tavares de Lima parecia indicar a luta entre a vitória, a esperança e a tragédia, "forças antagônicas da alma humana". O próprio Brahms escreveu, em carta a um amigo, que o que o havia impelido a escrever a peça era sua "natureza melancólica".A outra peça de Brahms, escolhida para fechar o concerto é a Sinfonia n.º 4 op. 98, a última escrita por ele. De certa forma, assim como a Abertura Trágica, essa sinfonia recria uma atmosfera trágica e fatalística ao longo de seus quatro movimentos, que reproduzem uma sensação de inquietação. Para alguns críticos, a peça é uma espécie de síntese do que o compositor havia trabalhado nas outras três sinfonias, um discurso de despedida do compositor em relação ao gênero.Complementa o programa, como já previsto, uma novidade para o público brasileiro: o Concerto em Fá Sustenido Maior op. 3 para Orquestra e Contrabaixo, de Sergei Koussevitzki, maestro e compositor russo naturalizado norte-americano. A solista será Ana Valéria Poles, contrabaixista da Osesp. Nome pouco conhecido por aqui, pode-se dizer que Koussevitzki inaugurou uma nova escola de regência norte-americana. Expoentes da regência como Leonard Bernstein e o brasileiro Eleazar de Carvalho foram alguns de seus alunos em Tanglewood, onde ele criou o maior festival de música dos Estados Unidos.Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Sábado às 16h30. De R$ 10,00 a R$ 30,00. Sala São Paulo. Praça Júlio Prestes, s/n.º, tel. 3337-5414.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.