"Concerto Basileiro" reúne repertório para trombone

Um dos últimos instrumentos a serem incorporados às orquestras, o que só aconteceu no século 18, o trombone teve por muito tempo seu timbre estereotipado. Em grande parte do repertório clássico, em especial no século 19, seu uso é espalhafatoso - o que, para alguns, pode ser devido à sua monumental potência sonora. O fato é que, à exceção de algumas jóias sacras, o trombone tem um repertório magro, só alargado no século 20. E, senão como instrumento de fundo, permance estranho à maioria das platéias.Virtuose do trombone, o paraibano de Itaporanga Radegundis Feitosa sublinha ainda a particular escassez de composições brasileiras para o instrumento. Já se adivinha a dificuldade de produzir um CD no Brasil todo voltado ao trombone. Pois, depois de muito tempo, Radegundis concretiza seu projeto e lança, pela CPC-Umes, o belo Concerto Brasileiro, em que é acompanhado pelos jovens instrumentistas do conjunto de cordas Camerata Brasílica.Além de ser considerado um dos grandes do instrumento no mundo todo, Radegundis é também acadêmico. Atual professor da Universidade Federal da Paraíba, ele ostenta no currículo um mestrado na Juilliard School, de Nova York, e doutorado na Catholic University, de Washington, além de muitos prêmios em concursos.Em seu Concerto Brasileiro, Radegundis procurou, ao lado dos integrantes da Camerata, selecionar obras que fossem "da simpatia de todos" e ao mesmo tempo que tivessem "importância dentro do universo da música brasileira". Provando a versatilidade do instrumento, a seleção incluiu choro, samba, bossa e frevo, reunidos em duas grandes suítes: a Choros in Concert, com Pedacinho do Céu e Brasileirinho, de Waldir Azevedo, Espinha de Bacalhau, de Severino Araújo, e Na Glória, de Raul de Barros; e a Suíte Brasílica para Trombone e Cordas, com Carinhoso, de Pixinguinha e João de Barro (Braguinha), Frevo Sanfonado, de Sivuca, Eu Sei que Vou te Amar, de Tom e Vinícius, e Feira de Mangaio, de Sivuca e Gloria Gadelha. Todas os originais, claro, tiveram de ser transcritos para trombone e cordas.Há ainda no disco uma rara composição brasileira original para o trombone, o Concertino para Trombone e Quinteto de Metais, do pernambucano José Ursicino da Silva, o Duda, e também dois standards do repertório mundial: o Concerto para Trombone e Orquestra de Leopold Mozart, pai do grande compositor austríaco, e o Concertino para Trombone e Orquestra de Cordas do sueco Lars Erik Larsson. "Queria que o disco tivesse uma importância acadêmica e ao mesmo tempo fosse leve de ouvir", explica Radegundis, que, modesto, se diz "mais professor que qualquer outra coisa".Mas "músico que é músico gosta é de tocar", sentencia Radegundis. E assim, depois de uma turnê de pré-lançamento que passou por Curitiba, São Paulo, Rio, Belo Horizonte e, claro, João Pessoa, o trombonista planeja novamente excursionar com a Camerata Brasilíca, no fim do ano, entre outubro e novembro.

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