Conceituada academia traz música antiga alemã

Foi uma correria danada desde que, na quinta-feira, o Cultura Artística recebeu por fax o atestado médico informando que o contratenor norte-americano David Daniels estava com problemas na garganta e que, portanto, não poderia vir a São Paulo para os concertos desta semana com a prestigiada Academia de Música Antiga de Berlim. O que se faz num caso desses? Consulta-se maestros, empresários, agentes. É preciso correr para encontrar um grande contratenor que esteja não apenas disponível mas, também, disposto a uma viagem de última hora. A novela terminou ontem às 4 da manhã, quando desembarcou na cidade o inglês Michael Chance que, em termos de gravações, prêmios ou elogios da crítica, não deve em nada ao colega norte-americano. Chance descansou pela manhã e, à tarde, antes de seguir para ensaiar com os músicos alemães, conversou por telefone com o Estado. Disse estar feliz de finalmente conhecer São Paulo e lembra que, há dois anos, deveria ter vindo à cidade acompanhado da Orquestra do Iluminismo - o mesmo problema que agora atacou a garganta de Daniels, porém, o impediu. Agora, diz, cumpre-se a promessa - e é difícil mesmo não pensar nas estranhas coincidências. Chance também falou do repertório das apresentações. Ontem à noite, ele iria sugerir algumas alterações. Acha, por exemplo, que o Stabat Mater de Vivaldi, "uma peça mais densa", prevista a princípio apenas para hoje, deve ser repetido amanhã. No mais, a seleção de peças orquestrais de autores barrocos italianos e de trechos de óperas de Haendel devem ser mantidos. Chance adiantou, porém, que iria sugerir aos músicos uma ou outra mudança com relação às árias e trechos selecionados. Os títulos das óperas - Semele e Giulio Cesare, por exemplo - deveriam ser mantidos. O nome de Chance está intimamente ligado à música antiga - não é surpresa, portanto, que ele e os músicos da academia alemã já tenham se apresentado juntos em diversas outras ocasiões. Ele lembra ainda do trabalho com músicos como Sir Neville Marriner, Trevor Pinnock ou John Nelson, com quem gravou a Semele ao lado da soprano Kathleen Battle (o disco lhe rendeu o Grammy). Com John Elliot Gardiner, gravou as Paixões, várias cantatas e a Missa em Si Menor, de Bach, além das as óperas Orfeo e L´ Incoronazione di Poppea, de Monterverdi, e Jeptha, Tamerlano e Agrippina, de Haendel. Nos últimos anos, porém, Chance tem encomendado obras para diversos compositores, pedindo a eles que voltem a escrever peças para o registro de contratenor. Entre os compositores que aceitaram as encomendas estão desde o chinês Tan Dun até Elvis Costello, passando por John Taverner e Harry Birthwhistle. "Um amigo meu, no Estados Unidos, reuniu praticamente todo o repertório dos últimos 50 anos para a voz de contratenor. Não é pouca coisa, mas acredito que como intérprete é minha função encorajar o crescimento deste repertório", diz. Academia de Música Antiga de Berlim. Teatro Cultura Artística - Sala Esther Mesquita - Rua Nestor Pestana, 196, Consolação, 3258-3616. Segunda e terça, às 21h. De R$ 90 a R$ 190 (estudantes até 30 anos, R$ 10 meia hora antes do concerto). www.culturaartística.com.br. Patrocínio: Banco Safra, Bovespa, Telefonica e Votorantim

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