Comunidade negra é a que mais dá apoio a Jackson

Michael Jackson pode ter afinado seu nariz, alisado seu cabelo e clareado sua pele, mas nas recentes dificuldades que vem passando devido às acusações de abuso sexual, é da comunidade negra americana que ele vem recebendo mais apoio. Salas de bate-papo na internet, entrevistas em rádios e conversas de rua dão uma demonstração inequívoca de que os afro-americanos o apóiam. Jamie Foster Brown, editor de uma revista de celebridades, diz que a comunidade negra ainda considera Jackson como um dos seus. "Mesmo quando eles (celebridades negras) se distanciam de nós, no fim nós ainda os reclamamos. Porque quando negros estão encrencados, os brancos tendem a olhar para todos nós", diz. "Eu fiz uma vigília porque ele não pode mudar o fato de que é negro. É negro querendo ou não se livrar de seu nariz negro", disse a aposentada Audrey Martin, da Califórnia. A questão racial permeou a interpretação de outras lideranças civis dos Estados Unidos acerca das acusações contra Jackson. Não faltaram referências, por exemplo, à acusação de assassinato contra o jogador de futebol americano O.J. Simpson, que foi inocentado, e à condenação por estupro do boxeador Mike Tyson. O pastor e ativista Jesse Jackson notou a coincidência entre a batida no rancho do cantor com o lançamento de sua nova coletânea, Number Ones: "Foi tão preciso no tempo que levanta ainda mais suspeitas". Jesse Jackson também questionou o tratamento diferente dispensado a Michael Jackson. Lembrou que o produtor musical Phil Spector, que está sendo processado por assassinato, pagou fiança de US$ 1 milhão, contra os US$ 3 milhões de Michael Jackson. O editor do site Black America Today, Roland Martin, afirma que "os afro-americanos tiveram uma experiência extremamente negativa com o sistema judiciário. Nós mais do que ninguém acreditamos na inocência até que se prove o contrário". Evidentemente, as contantes mudanças na aparência de Michael Jackson nos últimos 20 anos o fizeram um estranho para muitos americanos, negros ou não. A colunista Sharon McCarthy disse recentemente que ele "é a primeira celebridade a se tranformar de pessoa negra para caucasiano, ou o fac-simile de um". Já o comediante Red Buttons fez piada dizendo que "somente na América um pobre garoto negro pode crescer e se tornar uma rica mulher branca". E no entanto, o estranhamento entre os negros não é suficiente para descartá-lo. Roland Martin acredita que a explicação passa pela forma como os afro-americanos tomam para si as dores de celebridades como Michael Jackson quando o vêem algemado e fichado na polícia. "Os afro-americanos pensam que devemos nos proteger, porque aquilo poderia acontecer conosco", diz.

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