Comportado e elegante, Paul McCartney mistura hits e novas canções em SP

Comportado e elegante, Paul McCartney mistura hits e novas canções em SP

Primeiro show da turnê 'Freshen Up' no Brasil teve músicas do disco 'Egypt Station' encaixadas no setlist habitual do Beatle

Guilherme Sobota, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2019 | 23h07

Se a fórmula já existe e está provada com 56 anos de carreira ininterrupta, é empolgante notar em Paul McCartney um entusiasmo em colocar no palco músicas de seu trabalho mais recente, e motivo de sua turnê atual, Egypt Station, de 2018. Canções novas como Who Cares, Come On To Me, Fuh You e o seu rock bossa nova Back in Brazil se encaixaram no setlist habitual do Beatle em seu primeiro show em 2019 no Brasil, na noite desta terça-feira, 26, em um Allianz Parque com ingressos esgotados.

Na quarta, 27, ele faz um show extra em São Paulo e no dia 30 aterrissa em Curitiba, sua primeira vez na capital paranaense em mais de 20 anos.

Antes de tocar Back in Brazil, um dos singles novos, gravado em São Paulo na sua última passagem por aqui (e com um refrão em japonês, sim), ele mencionou que a música foi feita especialmente para a ocasião. Quando o disco foi lançado, ele justificou o uso da expressão “Ichiban” na canção como uma homenagem à maior comunidade japonesa fora do Japão, no Brasil.

Paul emendou uma sequência incomum de shows no Brasil para uma estrela de seu calibre na última década: foram 23, sete deles em São Paulo, contando o desta noite, todos com a banda que o acompanha há décadas, seu conjunto que durou (e não dá sinais de que quer parar) mais tempo. Brian Ray e Rusty Anderson nas guitarras e baixos, Abe Laboriel Jr., baterista de técnica e carisma imensos, e Wix Wickens nos teclados e programação: uma novidade desta vez foi uma seção de sopro, que curiosamente tocou a segunda canção do set, Save Us, de um pedestal do meio da plateia. Paul parecia se divertir com os colegas assoprando os instrumentos e dançando.

Talvez por já estar acostumado com a visão do estádio, talvez por ter completado incríveis 76 anos, McCartney mostrou um grau de empolgação mais moderado comparado às apresentações anteriores na cidade — mas sempre simpático e a todo momento agradecendo. Sua voz entra em espaços de rouquidão com mais frequência e músicas mais altas como a maravilhosa Maybe I’m Amazed demandam algum esforço um pouco incomum para ele. Suas tentivas engraçadas de português também escassearam.

Paul incluiu músicas frescas dos Beatles no setlist, antes não tocadas aqui, como From Me To You. Algumas músicas de sempre, como I’ve Got A Feeling, aparecem com roupagens invocadas, e outras, como a simpática Love Me Do, escrita e lançada 56 anos atrás, ressoam eternas. Algumas homenagens (ao “irmão” John Lennon, a Jimi Hendrix, à esposa Nancy, aos direitos humanos) apareceram nos seus respectivos lugares (Here Today, um trecho de Foxy Lady, My Valentine, Blackbird).

O homem sabe fazer o que ele sabe fazer, e depois da contribuição fundamental para a construção do que hoje chamamos de música pop, é preciso destacar sua ética de trabalho renovada, que aplicou na divulgação de seu mais recente disco, Egypt Station (e na extensa agenda de entrevistas que concedeu e presenteou o mundo com manchetes como “Paul viu Deus usando DMT” ou mesmo, num grau de especificidade pouco comum nas suas aparições, “Paul e John se masturbavam no mesmo quarto”).

Mas também na entrega dedicada de shows de mais de 2 horas para fãs em todas as regiões do mundo. Na quarta, ele está de volta ao mesmo palco, depois Curitiba, e então, quem sabe quando depois. Resta torcer para que seja em breve.  

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