Compay: talento precoce, reconhecimento tardio

Francisco Repilado Muñoz era o verdadeiro nome de Compay Segundo. O veteraníssimo sonero, morto ontem à noite aos 95 anos, era de Siboney, cidade próxima a Santiago de Cuba. Nasceu em 18 de novembro de 1907 e sua carreira musical começou na juventude. Mas apenas nos últimos anos de vida ele teve reconhecimento à altura de sua importância.A consagração só chegou para Compay Segundo em 1996, com sua participação no projeto musical Buena Vista Social Club, que ganhou Grammy e virou filme pelas mãos do diretor alemão Win Wenders. Um caso extremo de reconhecimento tardio, pois já em sua adolescência Compay compunha suas primeiras canções e fazia parte de grupos como o Quinteto Cuban Stars e o conjunto de Miguel Matamoros.Foi com o duo Los Compadres, em que fazia segunda voz para Lorenzo Hierrezuelo, que Frabcisco Repilado ganhou o apelido de Compay, que significa companheiro em algumas regiões de Cuba. Segundo se referia à sua posição no duo, um cantor de apoio a Hierrezuelo, o primeiro da dupla. O duo fez canções de sucesso, como Macusa, Yo Canto en Llano e Los Barrios de Santiago, e se tornou uma referência nas noites cubanas. Mas a revolução de 1959 acabou com os cabarés de Havana, e Compay caiu num ostracismo de décadas. Desde então, ele passou muito tempo como enrolador de charutos em uma fábrica da capital cubana.Somente nos anos 80 Compay Segundo voltaria à música, mesmo assim de forma discreta: cantando para turistas em Havana e fazendo shows esporádicos. Entretanto, com Buena Vista Social Club, ele alcançou o devido e atrasado estrelato, assim como outros músicos cubanos esquecidos, tal como Eliades Ochoa e Ibrahim Ferrer.Nos últimos sete anos, Compay vinha se apresentando para milhões de espectadores nas mais prestigiosas casas de espetáculo do mundo, como o Carneggie Hall de Nova York. O último show foi no México, em fevereiro deste ano. Também gravou nove discos em seus últimos anos. O último deles é Duets, em que canta com Cesaria Évora, Charles Aznavour e Antônio Banderas, entre outros. Autor do clássico Chan Chan, Compay Segundo se tornou famoso mundialmente também por seu otimismo e e filosofia de vida. "Para chegar a ser velho, tem que se fazer de tudo, mas com moderação", dizia. E deixava claro seu amor pela música, como quando disse que "se não fosse pelo son, haveria uma tristeza bárbara no mundo".A música perdeu também Benny Carter

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