Como foi que "Tudo Bem, Meu Bem" ganhou o festival da Globo

O Festival da Música Brasileira transmitido pela rede Globo de Televisão ainda não foi esquecido. A escolha de Tudo Bem, Meu Bem para o primeiro lugar, canção composta e defendida pelo gaúcho Ricardo Soares, deixou muita gente incomodada. Grande parte da audiência do festival porém, ficou sem saber como de fato funcionou a seleção e escolha das músicas vencedoras. Para começar, faz-se necessário dizer que não houve apenas um júri. Foram três fases de seleção envolvendo pessoas diferentes. Na primeira delas, dois grupos foram formados, um no Rio de Janeiro e outro em São Paulo. Eles selecionaram as finalistas entre as 23.832 canções inscritas. Das quase 24 mil que foram recebidas, o pessoal de São Paulo selecionou 29 canções e o grupo do Rio outras 38. Ao todo, restaram 67 músicas. Foi feito então um encontro das duas equipes e os jurados escolheram as 48 finalistas, que se apresentaram ao vivo na rede Globo nos sábados de 19 de agosto a 16 de setembro. Depois, foi formado o júri principal. A produção da Globo chamou para participar: Fernando Faro, Geraldinho Carneiro, João Araújo, José Maurício Machline, Maria Carmem Barbosa, Patrícia Palumbo, Mauro Dias, Carlos Bozo Jr., Tom Leão, Maurício Valadares e Wally Salomão. O júri foi pago e concordou, por uma questão ética, em não dar declarações oficiais à imprensa. Solano Ribeiro, um dos idealizadores do festival, disse que o pagamento é apenas uma ajuda de custo. "Em todos os festivais que organizei o júri foi pago. Isso de forma alguma significou que eles tivessem que votar em alguma canção em especial", explicou. Decisão - A velocidade da televisão tinha que ser respeitada e a produção, em conjunto com os jurados, chegou ao sistema de avaliação, que primou pela matemática. Nos quatro primeiros programas, o júri atribui notas de 1 a 3 a cada uma das canções apresentadas. No final os pontos eram computados e as três músicas com maior número de pontos eram anunciadas como vencedoras. Para a final, o sistema foi alterado. As notas passaram a ser de 1 a 5, no entanto, continuou valendo a somatória.Rever os votos era permitido. "Os jurados marcavam os pontos com lápis e no final passavam a caneta esferográfica vermelha", diz Solano. Ele afirma que após os pontos serem computados, isso na última elimanatória, o júri se reuniu e todos manifestaram estar de acordo com o resultado. No entanto, era possível perceber uma ligeira insatisfação de alguns dos membros na saída do Credicard Hall, no dia 16.Pensaram até em adotar um sistema similar ao do Carnvaval, em que as notas são vinculadas ao nome dos jurados. Mas desistiram. Nesse mais de um mês em que o Festival foi exibido pela rede Globo, a integração entre júri, produção do evento e emissora não poderia ter sido melhor. Balanço - Levando-se em consideração o Ibope minuto a minuto, não haverá outra oportunidade para o talento musical na emissora carioca. O Festival da Música Brasileira teve picos de 20 pontos em sua estréia. No restante dos dias, quando muito, chegou a 16. Os prêmios e os investimentos foram muito menos modestos do que a audiência. O vencedor recebeu R$ 400 mil, mais do que Elaine, a grande vencedora de No Limite. O valor total dos prêmios soma R$ 1 milhão. No entanto, a Globo começa agora a fazer um balanço para avaliar prós e contras do festival. O retorno da recepção do público eles acreditam que obterão apenas quando o CD com as 12 canções vencedoras, que a gravadora Som Livre está produzindo, chegar ao mercado.

Agencia Estado,

28 de setembro de 2000 | 00h16

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