Comercial da Skol enfurece músicos eruditos

A Skol está entalada na goela dos músicos eruditos. A cerveja não desce redondo para maestros, cantores de corais e para instrumentistas de orquestras, desde que um comercial criado pela agência F/Nazca começou a ser exibido. Sua seqüência resumida é assim: habitantes de uma ilha tomam uma certa "cerveja quadrada" e começam a ter comportamentos estranhos. O DJ toca uma música erudita e os jovens dançam duros e desajeitados. Enquanto isso, na praia que tem Skol, as pessoas estão alegres, ao som do rock.Foi um torpedo que atingiu em cheio a classe erudita. A obra clássica, na interpretação dos mais indignados, aparece como música de pessoas idiotas e "quadradas". Os e-mails do serviço ao consumidor da Skol começaram a ser bombardeados com ameaças de boicote. Isso mesmo, os eruditos ameaçam ignorar a Skol nos balcões se ela não se retratar.Henrique Autran Dourado, diretor da Escola Municipal de Música e da Escola Superior, escreveu o seguinte no e-mail que mandou para a empresa: "Simplesmente fiquei enojado, como ficaram meus colegas que receberam e multiplicaram e-mails. Hoje mesmo recusei uma Skol. Chega da velha, vale mais uma nova." Doutor Rubens Riccicardi, musicólogo do Departamento de Música de Ribeirão Preto da USP, veio em solidariedade: "Tomei a decisão de nunca mais tomar um gole sequer desta cerveja..."Com a palavra Fábio Fernandes, presidente da F/Nazca: "Nós gostamos tanto de música clássica que utilizamos a famosa obra de Strauss, o Danúbio Azul, em comercial recente da Skol. Tudo é questão de adequação. Eu adoro música clássica e rock-and-roll. Ruim é ouvir o Aerosmith quando eu quero relaxar e Chopin quando eu estou a fim de agitar. Aliás, Chopin que me perdoe, mas na praia o pessoal prefere mesmo é chope e rock-and-roll."

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